Food for Thought

A vergonha não tem limites?

17 de August de 2010 por Salvador da Cunha

vergonhaNa semana passada escrevi, propositadamente, um post sobre a evolução da Lift Consulting. Não foi inocente: serviu para antecipar as asneiras que, estava certo, seriam escritas pelo Briefing neste artigo.

Hoje em dia é fácil saber a facturação da maioria das empresas. Como eu previa, os erros deste artigo são muitos e grosseiros. Mas não só: a interpretação do Briefing é, no mínimo, vergonhosa. O critério escolhido foi a facturação das empresas no mercado interno, único ranking onde o antigo líder de mercado consegue manter a liderança. É ridículo.

De facto a Cunha Vaz & Associados não facturou os 3 milhões de euros que diz o Breifing, mas sim 20,5 milhões de euros.  Cresceu mais de 300 por cento. Cresceu em Angola e outros mercados, é certo, mas o mérito está lá, não pode nem deve ser escamoteado.  A Cunha Vaz, com este nível de facturação, passou a ser o líder do sector em Portugal.

Outro erro: de facto, a LPM não cresceu 10% como diz no artigo, mas sim uns sofríveis 5%. Passou de 8,6 para 9,1 milhões de euros. Se calhar o mercado de exportação deixou de ser relevante para esta empresa, mas já foi. Agora, num estratagema de Spin, colocam-se os números à medida das ambições?

Outra desonestidade (não esperava eu outra coisa) relaciona-se com a facturação da Lift. De facto, o Briefing usa os dados do Grupo de 2008 e compara-os com os dados simples de 2009. E faz isto sabendo bem que não poderia comparar uma coisa com a outra. Vai buscar os dados de 2008 publicados no Piar (estão certos e são referentes ao grupo Lift) e compara-os com os dados simples da Lift de 2009, descontados da facturação fora de Portugal. Diz que a Lift decresceu 16%. É mentira…

A facturação do grupo Lift (sem Frontpage) referente a 2009 é de 4,24 milhões de euros (mais 17,2%). Com Frontpage foi de 5,47 milhões (mais 50,4% do que em 2008). Isolada, a facturação da Lift é de 3,05 milhões e não de 2,84 milhões como diz o Briefing, o que representa um crescimento de 43%. Como se vê, o briefing em relação à Lift falha em todas as contas. E falha de propósito. Falha conscientemente.

Mas há mais: no caso da Yougnetwork não estão contempladas a Press Directo, a Meritor Media (Croácia e Macedónia) e a Youngnetwork Angola.  Em relação ao Grupo GCI, apesar de não compreender em toda a sua extensão a forma como se pode medir a facturação, sei que pelo menos uma das empresas do grupo não está contemplada. Volta a falhar na Frontpage, cuja facturação foi de 1,23 milhões de euros e não 1,05 milhões de euros.

Ou seja, como previsto neste blog há um ano, o Briefing foi comprado para servir os interesses dos seus donos. Mas como toda a gente sabe ao que vem, o Briefing não tem qualquer tipo de credibilidade e com isso arrasta a já fraca reputação dos seus proprietários. Tem a ver com Ética nos negócios. Tem a ver com moral.

Já se sabe que a crise traz mau jornalismo. Mas disto, eu tenho vergonha…

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