Food for Thought

Falta de palco

7 de April de 2010 por Salvador da Cunha

emidio rangelO palco mediático é viciante. Penso que serão poucas as pessoas que já tiveram grande mediatismo que se tenham habituado à falta de palco. Emídio Rangel não é um deles: apesar de ser um comentador habitual de um dos canais de informação por cabo, o palco de Rangel já foi muitíssimo maior do que é hoje. Hoje já nem se assume como «the next man» para substituir um qualquer director de televisão em vias de sair, como sempre acontecia nesses casos. Sei mesmo, por ter estado próximo, que era o próprio Rangel a fazer circular esses rumores. Já nada disso acontece. Rangel is out.

Ontem foi com alguma tristeza que o vi na comissão de ética a ler, nervosamente, um testamento que lhe irá custar uns milhares largos de euros. A ida de Rangel ao parlamento não serviu para nada a não ser para lhe alimentar o ego e acalmar o vício da falta de palco que sente. Foi como uma longa e profunda fumaça num cigarro por parte de um ex-fumador. Vai ter consequências. Mas infelizmente para o Rangel, será ele o único a sofre-las.

Porquê? Porque nada do que disse é consequente. Ataca os juízes, mas não dá exemplos concretos. Agride os jornalistas, mas, à excepção dos exemplos de Moniz e Moura Guedes, não individualiza casos. Ataca as agências de comunicação sem saber do que fala. De resto, 10 minutos com um bom consultor e nada daquilo teria sido dito.

Rangel já não tem audiência. Não tendo audiência, não é eficaz reagir ao que ele diz. É estar a dar importância, ao próprio e ao assunto.

Cabe-nos a nós, consultores de comunicação, em pequenos espaços de opinião como este, desmentir o tipo de práticas de que Rangel acusa. As “agências de informação”??. Nem nisto acertou. Ainda bem.

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