Food for Thought

Greenpeace vs Nestlé e os orangotangos da Indonésia

24 de March de 2010 por Salvador da Cunha

GreeNestle

O poder dos media sociais é de facto perturbador. No meio das minhas pesquisas sobre casos virais que afectam a reputação de pessoas e empresas/ marcas nas redes sociais, sobre as quais falarei amanha num seminário co-organizado pela Lift, eis que a Greenpeace lança um dos mais ferozes ciber-ataques de sempre a uma empresa, a Nestlé, e especificamente à marca KitKat.

A Greenpeace acusa a Nestlé de comprar óleo de palma a produtores indonésios que por essa via estão a causar a desflorestação do habitat natural dos orangotangos. Nesta sua campanha a Greenpeace não fez um apenas um vídeo absolutamente viral (e impressionante), que já circulou no Youtube, já foi retirado e reposto novamente no Vimeo, como ainda produziu uma série de suportes para serem utilizados com os simpatizantes da sua causa, alterando os logos do KitKat para Killer, que agora assume mesmo a home page do seu site institucional (ver aqui), onde desafia os visitante a espalharem o vídeo e a escreverem uma carta ao CEO da Nestlé. Poderoso.

Há milhares de fãs do facebook que assumiram completamente a causa da Greenpeace e que ajudam a espalhar a causa, num movimento que tem uma nova buzz word: Spreadability, ou a capacidade de espalhar informação nas redes sociais. Há centenas de blogues a falar sobre o assunto. Há manifestações nas ruas. Há de tudo para tornar estes dias num dos piores pesadelos da Nestlé.

E ao que parece nem é verdade que a Nestlé compre óleo de palma às tais empresas de que é acusada, mas do ponto de vista das percepções isso é irrelevante. A Greenpeace consegue duas cosias: mostrar a sua força nos novos meios de comunicação e fazer com que de facto todas a outras empresas que compram óleo de palma na indonésia deixem rapidamente de o fazer.

A Nestlé, como qualquer outra marca, reagiu mal e desastradamente a este ataque surpresa da Greenpeace. Fez um conjunto de asneiras, muniu-se dos melhores advogados, conseguiu retirar a primeira versão do vídeo do YouTube, mas compreensivelmente não entende o fenómeno e por isso não sabe como o combater.

Diria que nem sabe a Nestlé nem sabe muita gente: é muito complicado combater este tipo de fenómenos quando não se está integrado neste ambiente. E a maioria das marcas (diria que 99%) não estão integradas no ambiente dos media-sociais.

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