Uma das preocupações de Pedro Passos Coelho irá ser a comunicação do novo PSD. Não estou a falar da assessoria de imprensa, mas sim da estratégia de comunicação que o novo líder dos sociais-democratas terá adoptar para levar as suas intenções a bom porto.
Antes de abordar esse tema, é importante fazer um curto exame à actual situação.
Para Manuela Ferreira Leite a comunicação era uma espécie de crime de lesa-majestade, porque foi sempre entendida como «spining», ou a arte da manipulação da comunicação social, e por isso contrária à sua política de verdade. E por isso não comunicava, ou comunicava muito pouco.
Mas a comunicação não é isso. A boa comunicação é mesmo o oposto disso. Trata-se tão só de chegar às suas audiências de forma eficaz, tentando diminuir o «fosso» que existe sempre entre percepções e realidades. Em política este esforço contínuo de tapar este fosso é tão mais importante, quando existem permanentemente forças a «remar» em sentido oposto: Os partidos da oposição e a fraca credibilidade da política, associada a um conjunto de jornalistas muito críticos da direita e do PSD.
O grande problema da ausência de comunicação do PSD de Ferreira leite é que o seu espaço natural foi preenchido. Não por um, mas por todos os partidos. Deixou de ter voz. Deixou de ter relevância. Cabe a agora a Passos Coelho recuperar o lugar natural do PSD no panorama mediático, como de resto no panorama político.
E a estratégia da «verdade» proclamada por Ferreira Leite até é poderosa. Pode mesmo manter-se como bandeira de Passos Coelho, mas tem de ser aprofundada, encorpada, ter argumentos que lhe permitam tornar-se credível. Uma política de comunicação baseada em evidências*, para ser entendida por quem necessita de a entender.
Não pode ser apenas proclamada como até agora. Porque sem «recheio» fica vazia. Estéril. E por isso pouco profícua.
* ver próximo post


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