Tenho visto as intervenções de Alberto João Jardim nos últimos dias e a minha opinião sobre ele mudou, para melhor. Já tinha uma boa imagem do líder da Madeira, mas manchada pelos vários momentos infelizes que amiúde protagoniza. É um homem cheio de defeitos, mas também cheio de virtudes.
Não me vou debruçar sobre os defeitos. Não é este o momento. Mas sobre as virtudes, porque tem sido inexcedível na sua tarefa de recuperar a Madeira e coloca-la «ainda mais bonita do que já era». Palavras do próprio. É isso que se vê todos os dias. Centenas de máquinas a trabalhar, centenas de pessoas nas ruas a ajudar, um presidente da Câmara do Funchal de mangas arregaçadas a coordenar os trabalhos e um presidente do Governo a coordenar, a contar a baixas (porque os jornais exageram sempre), mas sobretudo a olhar para os que ficam. Alberto João Jardim não irá obrigar as pessoas a sair das suas localidades, vai construir nessas mesmas localidades. «Não quero trazer mais infelicidade» atira.
E a olhar pela «sua» ilha. Não lhe venham falar de calamidade, porque que depois os seguros não pagam. Não lhe venham falar de desordenamento do território: é uma ilha, cheia de declives, com casas onde os desastres acontecem, mas são os pedaços de terra dos madeirenses. Não lhe venham falar em desastres naturais, porque prejudica a imagem da Madeira lá fora. E tem toda a razão: este é um momento em que o excesso de informação é prejudicial.
De vez em quando volta a registo habitual, mas desta vez tem também razão. Pergunta-lhe um jornalista: mas sabe que um procurador vai investigar eventual negligência em relação ao mau ordenamento do território? Resposta: «nestes momentos há sempre um xicos espertos que gostam de se pôr em bicos dos pés. Já falei com o procurador-geral e ele garantiu-me que podia ficar descansado» diz. «Apure-se, mas apure-se em silêncio e descrição que a justiça necessita para ser eficaz. Se for para fazer show off não fazem falta».
Gostava que o continente tivesse um líder assim.


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