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“As escutas são pagas”, diz António Barreto

27 de February de 2010 por Salvador da Cunha

Ab_expresso2AB_ExpressoÀ margem de uma entrevista em que lança o PORDATA, António Barreto arremessa também a mais grave acusação que eu tenha conhecimento ao sistema judicial português.

As escutas são pagas… e quem as vende são os magistrados.

Já se sabia que a justiça portuguesa é um queijo suíço e que deixa passar tudo o que pode. É assim na maioria dos casos mediáticos, mas também é assim nas entidades reguladoras como o Banco de Portugal e a CMVM. Tudo o que possa ser noticia passa cá para fora de forma insidiosa, violenta e ilegítima. E não me venham dizer que há casos em que só se faz justiça se assim for. Carlos Tavares, o presidente da CMVM disse um dia, numa clara violação do segredo de justiça: «este caso até pode prescrever, mas a reputação não prescreve» disse, justificando a quebra do segredo de justiça. Caso era o do BCP e serviu bem os interesses de uma guerra de accionistas, na qual Carlos Tavares e Vitor Constâncio foram fantoches manipulados.

Voltando a António Barreto, penso que estamos perante a acusação que faltava para acabar de vez com esta pouca vergonha das escutas e do lodaçal em que o país caiu, muito por culpa de uma comunicação social deficitária onde, naturalmente a urgência de pagar os salários no fim do mês tolda os critérios editoriais dos directores. «Em casa onde não há pão…»

Fui com orgulho jornalista de economia durante oito anos e acho que a reputação desta profissão desceu para baixo dos limites da razoabilidade. O jornalismo em causa própria (Caso de Mário Crespo e de Manuela Moura Guedes) é simplesmente deplorável. O jornalista não pode jamais usar o poder e audiência que tem em seu benefício, ou em benefício de uma causa. Por mais nobre que ela seja.

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