E como fica a reputação do mais bem pago desportista mundial?
Em primeira análise, quero destacar que houve uma clara falta de habilidade de Woods em lidar com todo o tema mediático. Desde desculpas prematuras (esfarrapadas e pouco sentidas), às declarações fora de contexto, passando pela habitual acusação de perseguição por parte dos jornalistas (como se a comunicação social não fizesse parte do seu business plan) e pela pouca paciência inicial para resolver o problema mediático. Woods foi claramente mal aconselhado em todo este processo. Mas o problema central foi um problema de comportamento, muito distante do que era a sua imagem de homem perfeito: honesto, correcto e irrepreensível.
O que fica então? Fica um excelente atleta que provou ser apenas um homem, com todos os defeitos que os homens têm, multiplicados pelas facilidades que os milhões proporcionam. A sua reputação como atleta está intacta. A sua reputação como homem honrado, irremediavelmente perdida.
Mas quererá o seu público saber disso? É a honra de Woods o principal atributo da sua reputação como golfista? Penso que não, longe disso. Dentro de uma época sabática (máximo dos máximos duas) Woods está de volta e será aclamado pelo seu público, que saudoso lhe perdoa as infidelidades e reclama o seu regresso. Os patrocinadores voltarão e com contratos ainda melhores. Serão outros, cujos atributos de reputação dependem menos da imagem de homem de família que o Tigre tinha. O sistema mediático irá perdoar-lhe tudo, ajudar a esquecer o passado e estender a passadeira vermelha ao seu regresso.
E como será a sua nova personalidade pública? Uma incógnita que será revelada no seu regresso. Provavelmente mais próxima da realidade, mas ainda assim moldada à vontade de quem aposta os seus milhões no habilidoso Tiger Woods.


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