Em dias perfeitamente alucinantes, em que as urgências do dia a dia nos ultrapassam sem nos deixarem uns minutos para ver o que se escreve ou diz sobre o nosso sector, venho atrasado à análise de um programa de televisão do clube de jornalistas que acabo de ver na internet.
Curiosamente, este programa já tinha acontecido há uns quatro ou cinco anos tendo como protagonista eu próprio e o Eduardo Dâmaso, entrevistados pela Estrela Serrano (hoje na ERC). Nessa altura passei os meus 20 minutos de tempo de antena na defensiva a explicar que não há papões nas consultoras de comunicação. A Estrela não percebeu um caracol do que eu dizia e o Eduardo lá fez o papel do mau da fita, sem ter sido verdadeiramente mau.
Desta vez foi um concorrente que, felizmente, e apesar das picardias que nos separam, lá soube defender o sector de forma exemplar. Mas também na defensiva a explicar que não há papões. Esteve muito bem, menos numa reivindicação tonta que penso que só eu entendi na sua verdadeira extensão. Veio mais tarde mal explicada no seu jornal pessoal.
A Dina, jornalista que os entrevistou, não distingue um consultor de comunicação de um relações públicas de discoteca e esteve lá outro senhor não sei bem a fazer o quê. O Celso Filipe, que conheço há muitos anos, esteve mal. Muito mal.
Apesar de ter tocado nalgumas feridas, como o Spam de press releases, foi defender umas teorias de conspiração absurdas, de práticas duvidosas, que me causaram um sentimento raro: a vergonha alheia. É aquela sensação que sentimos quando vemos um amigo a meter os pés pelas mãos e a entrar por um caminho que não queria, mas que por teimosia não consegue de lá sair. Lá teve o meu concorrente de lhe dar a mão e tirar do fosso cada vez maior onde se colocava. Mas que o Celso necessita de media training, não há dúvidas.


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