Food for Thought

Marcelo e a vaga de fundo…

1 de November de 2009 por Salvador da Cunha

Ou muito me engano, ou Marcelo Rebelo de Sousa não irá aceitar liderar um PSD que terá, necessariamente, de passar por uma nova travessia do deserto.

É uma seca monumental ter de aturar um grupo parlamentar que não é o dele, ter de preparar bem os dossiers para ser submetido ao contraditório (o que no papel de comentador, nunca ninguém faz), ter de se sujeitar às críticas dos «novos boys» do PS. Ele, que foi fundador do PSD, que se acha ao nível político de Cavaco, Soares ou Sampaio, apenas aceitaria como opositor individualidades do nível intelectual de Vitorino.

Sujeitar-se a Paulo Portas, a Louçã ou a Jerónimo de Sousa, ainda seria suportável. Agora aturar «pitinhas» como a Ana Drago, «senhorecas» como a «Teggy» ou alguns dos muitos burricos anónimos do PS, seria demais para Marcelo. Nunca, no seu papel de comentador, ninguém o ousou criticar, como se atreveriam a faze-lo na qualidade de líder da oposição?

Mas o pior ainda seria Sócrates. Fazer oposição a José Sócrates, que acha que está muitos furos abaixo dele, tanto do ponto de vista social como intelectual, não é simplesmente suportável.

Mas há uma coisa de que ele gosta muito: de vagas de fundo. Paletes de sociais-democratas a clamar por ele. Tsunamis de popularidade. Manter o tabu afaga-lhe o Ego. Mas Marcelo sabe que no fim do dia o palco é de Pedro Passos Coelho. E a sua vaidade impedirá que surjam outras alternativas.

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