Food for Thought

Rankings em cima do joelho dão asneira

15 de September de 2009 por Salvador da Cunha

Quando se pretende hierarquizar um sector de actividade através dos chamados rankings, na minha opinião pessoal e como director geral da Lift (e não como qualquer outra função que possa ocupar neste momento), penso que o mínimo que os promotores tem de fazer é uma pesquisa mais aprofundada, para que não se cometam erros crassos como os que o Rodrigo Saraiva praticou hoje no seu blogue PiaR.

Já para não falar na independência e distância necessárias para que não haja suspeitas de manipulação grosseira. Só pelo facto de ser funcionário de uma agência de comunicação, devia impedir o Rodrigo de tal feito. Mas as coisas são como são, e pelos vistos nalguns lados a ética passou a ser um conceito relativo.

Tenho o maior respeito pelo Rodrigo e até consideração pessoal, pelas atitudes construtivas que tem tomado e relação ao sector e pela dinâmica que construiu como comentador independente de assuntos de comunicação e relações públicas. Lamento que o Rodrigo se deixe instrumentalizar pelo seu novo patrão, e use o seu espaço tradicionalmente livre para defender ideias que não são as dele. Há um outro espaço, talvez menos nobre, mas porventura mais adequado, que é o tal blogue não autorizado da empresa que emprega o Rodrigo.

O ranking que hoje publica erra em relação a várias empresas, o que constitui um problema grave. A velha máxima jornalística aconselha: «When in doubt, leave it ou»t. Em, português, “se tens dúvidas quantos aos factos não escrevas”. O Rodrigo não fez isso porque o seu patrão está ansioso por afirmar seu primeiro lugar no tal ranking por facturação simples. Deverá ser um qualquer complexo de adolescente.

Os dados do Rodrigo estão correctos, na sua maioria, mas estão incompletos. Os erros mais graves estão nas facturações do Grupo GCI, Youngnetwork e Lift, por deixarem de fora empresas que fazem parte dos grupos e não estão incluídas nos dados. Outras empresas haverão que por deterem unidades de negócio mais complexas, deveriam surgir com dados consolidados e não simples.
Depois, há um conjunto de consultoras que por mérito deveriam constar no dito ranking, mas que simplesmente não aparecem (A Inforpress, a Emirec, ou a Pure Activism, por exemplo).
No que respeita à Lift as contas certas são relativamente simples: falta somar o que em 2008 eram empresas do Grupo Bairro Alto.
A própria Bairro Alto, que no processo de transformação em holding não transferiu ao longo de 2008 todos os clientes para a Lift, a Bago – unidade de Eventos e Design que não foi contemplada pelo estudo e a Mercury Associates, empresa adquirida pela Lift no final de 2007 mas que apenas se fundiu com a Lift no final de 2008. Nenhuma delas foi acrescentada. A soma de 2008 dá um valor de 3.620.466,45 €. Sem mais nem menos.

Não é que o valor per si seja muito relevante, mas é substancialmente diferente dos 2.132.486 € referidos pelo PiaR. Um tiro 70% ao lado dos números verdadeiros. Fica a informação para consulta.

Já agora fica também a nota de esta informação foi transmitida ao Rodrigo, num e-mail pessoal.

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