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Quem confia na comunicação social?

26 de September de 2009 por Salvador da Cunha

Interessante este estudo realizado pela Pew Research nos Estados Unidos. Diz-nos que a confiança dos americanos na comunicação social, do ponto de vista da imparcialidade e independência, está nos níveis mais baixos dos últimos 25 anos.

Apenas 29% dos americanos da amostra diz que a organização das notícias relatam a verdade, enquanto 63% afirmam que são imprecisas. Em 1985, quando o estudo foi iniciado, 55% dos inquiridos disseram que as notícias eram correctas, enquanto 34% disseram que eram pouco credíveis. Essa percentagem caiu drasticamente da década de 90 e manteve-se baixa ao longo dos últimos 10 anos.

Os macro interesses que existem por trás dos meios de comunicação social são insondáveis, mas existem e estão visíveis a olhos mais atentos. Interesses macro que estão sobretudo ligados à sobrevivência dos órgãos de comunicação social do ponto de vista financeiro. Mas podem também ser influenciados pelo alinhamento com interesses de grupos económicos, governos, cultos ou lobbies organizados.

Não é a acção de assessores de imprensa ou consultoras de comunicação que  condiciona os meios de comunicação, porque essa acção, em 95% dos casos, é legítima e pode ser filtrada sem consequências pelos próprios jornalistas. Mas servem recorrentemente de bodes expiatórios de interesses mais elevados.

Em Portugal, os casos deste Verão não ajudaram a criar um clima de credibilização: o aproveitamento político à volta do caso TVI, as pressões constantes sobre a TVI e o Jornal Publico, a guerra aberta e vergonhosa entre dois jornais concorrentes e alinhados com interesses opostos, não ajudam nada à credibilização da comunicação social.

Mas o fundamental é a percepção dos leitores de que os jornalistas já não são isentos. Não tratam as várias partes de uma notícia com a mesma imparcialidade e, principalmente, há a percepção de que já nem tentam ser.

Basta passear pelo Twitter ou pelo Facebook, para ver que  alguns dos mais seniores jornalistas não escondem a sua opinião em relação a determinados assuntos ou pessoas. Tem obviamente esse direito, mas os direitos têm consequências e as consequências são a descredibilização dos meios de comunicação social que dirigem.

Um velho jornalista disse-me um dia: “eu não posso dar-me ao luxo de ter opinião. Quando isso acontecer, já ninguém liga ao que eu escrevo”. Pode ser este o ponto de viragem na viabilização da comunicação social.

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