Food for Thought

Paulo Portas: «o comunicador»

10 de September de 2009 por Salvador da Cunha

 

Não é fácil falar de Paulo Portas, principalmente para quem já teve com ele uma relação de consultor particular, para não falar de uma proximidade de anos à minha família, durante o período de «O Independente».

Portas é fascinante pelo brilhantismo intelectual e pelo excepcional à-vontade em termos comunicacionais. Sabe construir, como ninguém em Portugal, um conjunto de «sound-bits» que se por um lado lhe servem de bengala, por outro desarmam quem o entrevista. De polegar a apontar sempre o «em primeiro lugar», Portas consegue encontrar amiúde uma mão cheia de argumentos que lhe permitem usar os cindo dedos da mão para transmitir uma ideia. Sabe os que os jornais querem, o que as televisões e as rádios querem e sabe comportar-se com os jornalistas.

Talvez três pequenos defeitos: tem uma tendência para os «provocar» acima do normal, trata alguns jornalistas como aliados políticos, que eles simplesmente não são, e não tem horas para nada, deixando muitas vezes os nervos à flor da pele a quem tem de apresentar trabalho.

Na entrevista de ontem à SIC, Portas fez um esforço para parecer genuíno. Conseguiu quase sempre, à excepção da encenação dos telefonemas na sede do Partido, nos beijinhos que deu a toda a gente que encontrou pelo caminho (alguém acredita que ele faz isso todos os dias?) e na parte do Sushi… A Raquel foi mazinha, porque podia ter cortado as partes gagas…

Mas de resto, em toda reportagem, esteve à altura do que se lhe pedia: ver um Paulo Portas inédito. O toque especial dos seus heróis Corto Maltese, Sharon Stone e Winston Churchill, no painel publicitário rotativo que tem no cimo das escadas, foi magistral. 

É por ser um comunicador nato, que falar de Paulo Portas se complica. Ser consultor de Portas em comunicação política, se se estiver à altura, é apenas redundante…  

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1 resposta até ao momento;

  • 1 JPC // Sep 10, 2009 at 11:03 am

    Interessante de facto a reportagem. Desmistifica algumas questões que por aí propalam. Conhecendo-o como parece, ainda deve ter sido mais interessante ver de fora a evolução.

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