Com a distribuição provável de 2 deputados por cada um dos partidos entre o PSD e o PS entre os 4 da emigração que faltam escrutinar, temos alguns cenários interessantes de observar:
- O PS e o CDS passam a ter maioria na Assembleia da Republica, com 119 deputados
- O PS e o Bloco ficam com 114 deputados, o que elimina o bloco como força política relevante.
- O PSD e o CDS têm mais deputados do que o PS (101 contra 98)
- O PS e os partidos de esquerda tem 129 deputados, mas não tem maioria com nenhum dos dois. Será complicado ter acordos tripartidos.
- O PS e o PSD podem-se acertar em relação a medidas pontuais e à aprovação dos orçamentos anuais, mas não irão estar de acordo em relação a mais nada.
É assim que o PS irá governar o país. Sozinho, mais à direita do que à esquerda. O apelo de Sócrates ao voto útil lixou o Louçã, que já se estava a ver com a mão na massa. Mas assim pode continuar a ser um partido irresponsável, apesar de ter dobrado a votação. Sócrates fica no guiness político português como o primeiro Primeiro-ministro que deixa de ter uma maioria absoluta para uma maioria relativa.
Tem dois anos para governar, até CDS e PSD lhe puxarem o tapete. Nessa altura vira-se à esquerda, mas tenderá a ser corrido pelo Cavaco.
O CDS irá ter a tentação de governar com Sócrates, mas penso que Paulo Portas, desta vez, será mais inteligente. Deixará Sócrates governar sozinho e fará valer a faca que tem na mão. Irá capitalizar voto por voto cada aprovação que fizer de uma medida do Governo e irá impor umas quantas por troca, nomeadamente a cabeça de Vítor Constâncio, Governador do Banco de Portugal. Quem irá salivar é Carlos Tavares que quer o lugar, mas como é pouco integilente só dentro de dois ou três dias alguém lhe irá apresentar esse cenário. Receio, porém, que isso não seja possível.
O PSD terá umas eleições autárquicas complicadas, mas é possível que vença. Seja como for, Manuela Ferreira Leite tem de sair e dar o lugar a Pedro Passos Coelho, que irá disputar a liderança com Santana Lopes. Por seu turno, Passos Coelho e Miguel Relvas não estão no parlamento: governar o grupo parlamentar de Manuel Ferreira Leite será tarefa complicada e de dificil digestão.
E o PCP? Bom, o PCP vai morrer de velho. Talvez dentro de 8 anos, talvez dentro de 16. Mas já mostrou que não tem fôlego para ir mais longe.


1 resposta até ao momento;
1 Carlos Caldeira // Sep 28, 2009 at 2:13 pm
Boas. Grande Salvador. Acho que a arrogância não chegou ao fim. Logo ontem, no final do discurso de vitória, Sócrates começou a fazer campanha autárquica, a favor do António Costa, apesar de não passar ainda da meia-noite. Acho que é um tique socialista, o da arrogância – que irá continuar até que o Governo caia e se marquem novas eleições.
Abraço amigo
Carlos Caldeira
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