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José Sócrates: «O Medo»

16 de September de 2009 por Salvador da Cunha

Já falei sobre os quatro candidatos a primeiro-ministro. A ideia foi apenas retirar impressões e percepções sentidas nos últimos dias de pré campanha, fazer alguma avaliação dos aspectos comunicacionais, mas não fazer perfis completos de cada um. Sobre José Sócrates a porca torce o rabo. Teria muito que dizer, mas receio que não possa.

Lembro-me, por exemplo, de uma frase do Jorge Coelho que dizia «quem se mete com o PS leva». Já senti no pelo e já levei por tabela. É mesmo assim. Não posso é provar nada, o que é pena.

Se não os podes vencer… foge a sete pés. Foi o que fiz. A minha empresa tem 99% da sua facturação centrada em empresas privadas. Pode ser menos glamoroso, mas é mais seguro.

Outros dois exemplos que me marcaram recentemente: o livro de Filipe Pinhal e uma entrevista de José Eduardo Moniz.

Deixo aqui um pequeno excerto de duas perguntas e duas respostas retiradas do livro de Filipe Pinhal que me arrepiaram e que, por instinto, sei que fala a verdade:

Filha: E quem tinha interesse em atacar o Banco e em vos atacar pessoalmente?

Pinhal: Muitos interesses. As pessoas, nestes casos, contam pouco. Os interesses económicos e os interesses partidários é que são implacáveis. Quando se associam, cessam todas as regras e desaparece todo o decoro. Impõem-se os objectivos e só os objectivos passam a contar. Custe o que custar. Doa a quem doer.

Filha: E associaram-se? Para quê?

Pinhal: Para tomar o controlo do Banco, para que havia de ser? Lembras-te de ouvir falar no “triângulo do mal”, uma espécie de máfia dos interesses económicos pouco claros?

Na altura, acusava-se a coligação de interesses centrada nas “autarquias, futebol e construção civil”, era esse o triângulo maldito. Porém, por muito importantes que sejam os interesses, os autarcas, os dirigentes desportivos e os construtores “jogam a feijões”. Não passam de meninos de coro ao pé da verdadeira tríade composta por “partidos, grupos económicos e agentes a soldo, de uns e outros, frequentemente, em acumulação”.

Quando esta coligação entra em cena, não há escrúpulos que a demovam, nem barreiras que a travem. Nem a lei. Nem a moral. Nem a vergonha. Vale tudo…

Mais palavras para quê? Pinhal esteve 20 e tal anos à frente do maior banco privado português. Eu acredito nele piamente. Hoje, para além da sua defesa, já não tem poder e não tem nada a perder.

Já José Eduardo Moniz, que também já não tem poder e nada a perder, não tem qualquer pejo em afirmar uma coisa que é de facto muito grave:

«O Governo que está em exercício tem desde o inicio um defeito, o de ter imaginado que se governa o país com propaganda e com apoio da comunicação social. Criou uma máquina de acção e contra-acção de propaganda muito ágil e muito eficaz. Neste aspecto tenho de lhe tirar o chapéu por que foi a máquina mais eficaz que alguma vez encontrei»

Ora, defrontado com estas duas opiniões, como é que eu (pequeno e insignificante) posso falar de Sócrates? Evidente que tenho medo. Por isso não falo. Ponto final.

P.s – Se calhar não devia dizer isto, pelos motivos apontados acima, mas acho que o texto de Ricardo Salgado publicado no Jornal de Negócios apenas veio confirmar a tese do Filipe Pinhal. Salgado, na minha opinião, enfiou o barrete. Neste ponto não posso concordar com o Pedro Guerreiro, que ficou embevecido com a Carta duríssima que o banqueiro escreveu especialmente para o seu jornal.

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