Food for Thought

Francisco Louçã: «o demagogo»

11 de September de 2009 por Salvador da Cunha

Há uma frase lapidar que nos alerta para o problema da mentira: «Podes enganar muita gente durante muito tempo. Não podes enganar toda a gente durante todo o tempo». Esta frase diz muito sobre o actual perfil eleitoral de Francisco Louçã, na sua cruzada de captação de votos descontentes com a governação de Sócrates e consequente alargamento da sua base eleitoral.

Louçã pode dar-se a esse luxo, porque a base eleitoral volátil, composta principalmente por eleitores descontentes com a governação de Sócrates, é muito pouco exigente do ponto de vista político. São os eleitores que votam, não em prol do desenvolvimento do país, mas em seu próprio beneficio ou contra quem os prejudicou. São eleitores que votam hoje e não votam mais em quatro anos, mas que se esquecem que legitimam uma força política destrutiva que não assume qualquer responsabilidade governativa.

É um eleitorado que gosta de ouvir falar mal dos ricos, das reformas milionárias dos banqueiros, do escândalo que constitui a suposta adjudicação de estradas a empresas lideradas por ex-ministros. Não é um eleitorado que vá ler o programa do Bloco de esquerda. Louçã mune-se de casos e factos polémicos, molda-os aos seus interesses mediáticos, e não tem o mínimo remorso em os adulterar, exagerar ou amplificar, criando meias verdades e com isso passar por cima de qualquer limite do razoável. O caso relatado ontem à Raquel Alexandra sobre sua verdade no caso das escutas em Belém é paradigmático: Louçã criou a sua verdade e agora vende-a como a verdade oficial e irrefutável. Ele faz isso, sistematicamente e de forma pouco séria, mas fá-lo por três razões que têm lógica: 

  1. A memória é curta. Vende o peixe hoje e só tem de o vender novamente daqui a quatro anos.
  2. Os seus eleitores voláteis vibram de tal forma com o discurso, que uma virgula a menos, ou uns zeros a mais não fazem a mínima diferença.
  3. A inveja, como a ganância, tolda o pensamento lógico e racional e é a base do crescimento dos movimentos radicais.

Louçã está a promover o maior clube de invejosos da história moderna de Portugal, com o qual cavalgará sem piedade sobre os “ricos e poderosos”, numa atitude de caça às bruxas que nos fez perder 10 anos de competitividade depois de Abril de 74.

Veremos a força com que sai destas eleições.

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6 respostas até ao momento;

  • 1 Luis // Sep 11, 2009 at 10:46 am

    Caro Salvador,

    A afirmação sobre o carácter pouco exigente da “base eleitoral volátil, composta principalmente por eleitores descontentes com a governação de Sócrates” é, no mínimo, controversa. Aliás, é muito vaga, permite-me dizê-lo. Escreves que esse eleitorado volátil e pouco exigente, que pode muito bem ser um eleitorado de centro e, portanto, “movível” para o voto no PSD, assume uma opção à esquerda (uma esquerda radical, demagógica, concordo contigo). Mas não se poderá compreender que esta escolha seja tomada pela falta de opções ao centro? E pelo facto – e isto demonstra responsabilidade e sentido de exigência – de que este PSD é o mesmo que conduziu o país ao descalabro no momento anterior a Sócrates. O voto no BE é um voto de aviso. Não é um partido de governo, nem nunca será.

    Abraço e parabéns pelo blogue que realmente tem alimentado o meu pensamento.

    Luis Silva

  • 2 Nuno Sanches Osório // Sep 11, 2009 at 2:58 pm

    Caro Salvador,

    Concordo com o essencial do que escreves. Não abordas, no entanto, o ar de “cão raivoso” que sempre apresenta. É que chega mesmo a babar-se.
    Preferes falar em meias verdades. Mas devias falar em mentiras. Por isso o título devia ser: Francisco Louçã, o mentiroso. Mesmo assim, sem aspas.

    Abraço.

    NSO

  • 3 Andreia Steiner // Sep 12, 2009 at 7:51 am

    “Louçã pode dar-se a esse luxo, porque a base eleitoral volátil, composta principalmente por eleitores descontentes com a governação de Sócrates, é muito pouco exigente do ponto de vista político”. Que frase tão democrática. O pensamento de direita é que é, sem dúvida, exigente. Basta olhar para os intelectuais que esta produziu ao longo da história e ficamos conversados.

  • 4 Isac Rolo // Sep 20, 2009 at 4:34 pm

    Creio que, enquanto um cidadão com ideais esquerdistas, posso sentir-me, efectivamente, ofendido com grande parte do texto escrito acima.

    A inveja proletária, e a caça aos ricos são títulos violentos, que proferidos de um modo pseudo-mártir, se tornam falaciosos. O ponto da questão não é a inveja, é a justiça social e a redução dos fossos entre os falsos “bem na vida por mérito”, e os “mal na vida”, apesar do mérito e do esforço.

    O facto é que nem sempre é o trabalho e o estudo que levam ao enriquecimento. Grande parte das vezes é pela corrupção, pela batota, pela sorte de se nascer numa família com boas posses, ou simplesmente a sorte de conhecer alguém.

    Portanto acredito que os fossos não sejam tão positivos assim, porque nem sequer é o mérito a delinear sempre o modo como os tijolos são colocados na escada da vida.

    Em segundo lugar, se há líder partidário com todos os factos na boca, e que não mente, apesar de assim o afirmarem, é Francisco Louçã. Pelo menos o senhor Sócrates, Ferreira Leite, e Portas, enquanto estiveram no governo, cada um na sua altura, mentiu. Portanto, se vamos votar pelo grau de lealdade à sua palavra, a direita parece-me uma péssima escolha (sim, coloco José Sócrates no seio da direita).

    Reparo que critica a suposta inveja, assim como a ganância. Mas qual é o rei das políticas de direita senão a ganância? Isto, de tudo o que disse, é que não pode de facto desmentir.

    Enfim, espero não suscitar ódios por este blog. As nossas opiniões são divergentes, mas penso que, tal como o senhor teve a liberdade de partilhar a sua opinião, eu a tenho.

    E tenho pena de não ter mais tempo para poder argumentar de melhor maneira, escrevendo mais umas linhas acerca do assunto, tendo saído apenas umas ideias separadas. Mas foi o que consegui de momento.

    Cumprimentos

  • 5 Joe Almeida // Sep 20, 2009 at 7:00 pm

    O agente manipulador aparece em jantares de caridade e beija crianças em público, não recuando perante violência psicológica, colocando por exemplo a estrela de David ao peito dos Judeus.
    Recordando o “Triunfo dos porcos”: numa primeira fase, anunciava-se a igualdade dos animais, na segunda ameaçavam-se os traidores, na terceira executavam-se os descontentes. Primeiro o engodo da cenoura, depois a ameaça do chicote, de seguida a sentença ao açougue.
    A mensagem que pretende fazer passar é afirmar e defender um movimento político. O manipulador é, assim, em muitos aspectos um agressor semelhante ao terrorista.
    A propaganda política dele visa sempre a manipulação das emoções. Mas esta manipulação é sempre criminogénea e visa condicionar vontades livres: é uma agressão psicológica contra direitos consagrados constitucionalmente em Portugal, tais como o artigo 25º, direito à integridade moral; artigo 26º, direito ao bom-nome, imagem, reputação […]; artigo 41º, liberdade de consciência, todos da Constituição da República Portuguesa.
    As actividades de manipulação e de agressão têm um conteúdo normativo anti-social e, portanto devem ser valoradas negativamente, como desregramentos, ou meras técnicas ou tácticas de pressão, que se podem mesmo configurar como condutas abusivas, ilegalidades, crimes e violação de direitos constitucionais.
    Mas será que existe pessoas e organizações assim manipuladoras? Evidentemente que sim. Pessoas assim, com comportamentos anti-sociais, existem, seja por deficiência psicológica seja por tendência criminogénea, em qualquer caso por uma disfunção patológica.
    No terrorista a neutralização da culpa é efectuada através do recalcamento, mecanismo psicológico freudiano e marca o irreprimível desejo de causar impacte e conquistar visibilidade social, aumentando consideravelmente, o seu nível de perigosidade. Por isso surgem em cena indivíduos hiper motivados, dispostos a tudo, sem escrúpulos nem limites, para levarem os seus ideais a bom termo. Está traçado o perfil de Francisco Louça.
    Há uma frase lapidar que nos alerta para o problema da mentira: «Podes enganar muita gente durante muito tempo. Não podes enganar toda a gente durante todo o tempo». Esta frase diz muito sobre o actual perfil eleitoral de Francisco Louçã, na sua cruzada de captação de votos descontentes com a governação de Sócrates e consequente alargamento da sua base eleitoral.
    Louçã está a promover o maior clube de invejosos da história moderna de Portugal, com o qual cavalgará sem piedade sobre os “ricos e poderosos”, numa atitude de caça às bruxas que nos fez perder 10 anos de competitividade depois de Abril de 74.
    Em defesa da Constituição e da Democracia, deve o Bloco de Esquerda ser ilegalizado de imediato com recurso ao tribunal se for o caso. Desde já devemos cumprir com o nosso dever de cidadania e promover um abaixo-assinado em prol da sua ilegalização.

  • 6 Gisela // Jun 8, 2011 at 11:43 am

    Está se tornando desinteressante e vazio estes debates politicos e acusações mutuas sem um objetivo construtivo. Como se fala uma especie de “masturbação” mental.
    Todo este sistema financeiro fracassou porque levou grandes e pequenas nações à falencia e ainda continuamos comprometidos com ele. É um suicídio.
    Precisamos acordar e deixar esses doentes mentais que estão no poder a ver navios. Principalmente as instituições bancárias.
    Não são eles que produzem roupas, calçado, casas nem comida, menos ainda cultura. Então porque temos que trabalhar para eles? e ser dependentes deles?
    Sugiro que ouçam o cientista psico-social Norberto Keppe que nos esclarece bem sobre o que está a acontecer no momento além de esclarecido ele dá esparança.
    O programa dele pode ser visto pelo link http://www.stop.org.br/site/catalogo/arquivos.php?idarquivo=497

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