Na eminência de que a notícia resultante das pistas fosse descoberta, o Rodrigo Saraiva, que trabalha na LPM, lá fez um favor ao Patrão disfarçado de curiosidade, e anunciou no PiaR o que se dizia no mercado à boca pequena.
O Enigma foi descoberto: Paixão Martins comprou o Jornal Briefing. No capítulo da «gestão de crise», chama-se ao que o Rodrigo fez, antecipar a crise com uma versão polida dos factos.
A Enzima Amarela afinal não é apenas do João David Nunes, nem sobretudo. É 80% do Paixão Martins, ou da Boston Media, que é do Paixão Martins.
Quando foi anunciada a venda do Jornal Briefing a João David Nunes, desconfiei, mas não pensei muito mais no assunto. Quando de repente no blog das equipas da LPM – nada autorizado pela empresa, mas onde o Luis Paixão Martins escreve e é o único que não assina – nos dá a informação de que o Briefing iria para um dos andares de cima, as minhas desconfianças aumentaram. Não tinha forma de saber mais.
Mas há três dias, «voilá»: a Media Capital Edições divulga um comunicado onde revela o nome do comprador: ENZIMA AMARELA EDIÇÕES, LDA. Uma sociedade constituída a meio de Julho para fazer este negócio.
A partir daqui foi simples: bastou aceder ao site do ministério da justiça, colocar o nome da empresa, e saber tudo o que se passou: quem comprou foi a dita sociedade, que é detida em 80% pela Boston Media (Grupo LPM) e 20% do João David Nunes, tendo como único gerente o João Paixão (Filho do LPM). A bem da verdade, o João Paixão é de facto o accionista quase único da recentemente transformada Boston Media em SA (também em Julho). Pode ser que legitimamente Pai e Filho sigam por caminhos empresariais diferentes.
Até isso acontecer, dou por boa a informação de que o Briefing foi comprado pela LPM, uma agência de comunicação que se diz líder de mercado, mas que não está por opção na associação do sector (APECOM). Neste momento deixou de ser elegível para associada, dado o gravíssimo conflito ético que constitui ser proprietário de um jornal, que ainda por cima escreve sobre o sector da Comunicação.
Deixo apenas três perguntas:
1. A aquisição do briefing é pelo negócio em si, ou pela influência que pode ter no sector da Publicidade, Marketing e Relações Públicas (lembro que a LMP, para além de ser um operador do sector, ainda trabalha a conta da APAM)?
2. Esta aquisição não mata a já fraca credibilidade do Briefing?
3. Ou será para equilibrar a má relação com a Meios & Publicidade e com o jornalista de média do jornal de negócios?
O jogo do enigma, obviamente acabou. A verdade foi desvendada….


3 respostas até ao momento;
1 Antonio // Aug 14, 2009 at 1:48 pm
A brief não vai ficar sozinha “O projecto Briefing não será o único projecto da empresa Enzima Amarela. Será o primeiro de vários projectos editoriais e de conteúdos. Em estudo estão outros dossiês de aquisições de publicações especializadas em vários nichos de mercado, aproveitando esta fase algo depressiva do mercado dos media.”
2 Salvador da Cunha // Aug 14, 2009 at 3:31 pm
Ainda bem António ???, desejo as maiores felicidades ao projecto da Enzima Amarela, genuinamente.
Vai ter apenas de me desculpar o meu cepticismo em relação ao Briefing. Teria preferido que a comunicação deste projecto fosse frontal e transparente à partida, mas não foi… deixou o rabo escondido com o gato todo de fora.
Nessa medida nunca acreditarei na independência editorial do Briefing. Nem eu, nem ninguém ligado ao nosso mundo.
Sem isso, carissimo, o projecto morre na praia.
3 willgama // Aug 14, 2009 at 3:52 pm
Uma empresa de RP dona de veículos de comunicação.
Se calhar nem vão ser tendenciosos… hehehehe
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