Food for Thought

Os sacanas e os bananas

3 de July de 2009 por Salvador da Cunha

Há um ditado popular que diz que Portugal, de tempos a tempos, é de um país de bananas governado por sacanas. Hoje há duas notícias que provam isso mesmo: O Ministério Público colocou o maior especulador de todos os tempos, Joe Berardo, como seu assistente na acusação ao caso BCP. O Ministro da Economia fez um gesto feio aos comunistas e foi demitido. E os bananas a ver…

No que toca a Berardo, o MP tem desde já de encontrar um tradutor para o que o homem diz, depois têm de ter muito cuidado com a carteira. Mas medida não deixa de ser inteligente: se há alguém em Portugal que sabe de crimes de colarinho branco, desde a lavagem de cupão às sucessivas manobras especulativas usando uma fundação (que ele diz ser sua, mas não é bem assim), até à aquisição especulativa de acções de várias empresas com milhões da CGD, BCP, BES (entre outros) a ponto de individualmente ter o chamado «risco sistémico», é Berardo. Não quero com isto dizer que os pratique (quem sou eu), mas que sabe da poda, sabe. Pode ser que compre umas acções do Ministério Publico e tenta correr com a Morgado (o que vistas bem as coisas nem seria mau de todo).

Depois foi a cena dos “corninhos” do Manuel Pinho. O Primeiro-ministro não podia, em consciência e no estado em que o país se encontra, fazer outra coisa que não fosse aceitar a sua demissão. E fê-lo da melhor forma mediaticamente possível. Mas que se trata de uma «sacanice» não há dúvidas.

Nós, os bananas, é que não achamos nada disto estranho. Ou melhor, eu acho.

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1 resposta até ao momento;

  • 1 João Baluarte // Jul 3, 2009 at 10:36 am

    Os bravos e os mansos

    Desde à muitos anos na minha terra (por sinal mais conotada com café do que com touradas…), os antigos, gente conhecedora e experiente, descreviam os touros bravos como tendo raça, dignidade, bravura e sobretudo dedicação e coragem. Aos mansos cabiam os adjectivos de falta de carácter, cobardia e falta de personalidade. Normalmente, o povo afecto às lides tem uma maior admiração pelos primeiros, chegando em muitos casos, a elevá-los à categoria de heróis. Aos segundos mostra o seu desprezo e repúdio. Os dois casos da actualidade descritos, mostram inequivocamente, caracteristicas que enquadram as personagens no segundo grupo. No meio desta “tourada” alguém se identifica com os mansos? Ou pelo contrário gostaríamos de ter outras referências para a nossa vida quotidiana? By the way a época da festa brava inicia-se a 27 de Setembro. Será que queremos ter praças vazias?

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