Food for Thought

Como a publicidade prejudica a reputação

22 de July de 2009 por Salvador da Cunha

A Portugal Telecom investiu nos últimos meses alguns milhões de euros para promover o investimento em Fibra Óptica da sua rede de nova geração. Fez uma campanha de publicidade milionária e conseguiu que o nome «fibra» fosse associado à velocidade e às redes de nova geração. AS campanhas genéricas dos Gatos Fedorentos, na minha opinião, são excepcionais.

A Zon, que tem cabo (e não Fibra) adoptou uma tecnologia ultra rápida para o cabo, que lhe permite também conseguir débitos de 100MB. As agora as duas andam à luta à volta das campanhas de publicidade uma da outra. A Zon acusa a PT de prometer serviços e velocidades por preços impossíveis (o que é verdade). A PT acusa a Zon de usar a expressão «Zon Fibra» para promover a sua RNG e também tem razão, na medida em que a Zon de facto tem muito pouca fibra associada à sua rede. Foi essencialmente a PT que investiu nesse eixo e hoje sente-se legitima proprietária do segmento. O ICAP (Instituto Civil da Autodisciplina da Comunicação Comercial) anda perdido por não saber a quem dar razão nesta guerra.

Este é apenas um exemplo de como a publicidade pode dar muita notoriedade (e muitos GRP’s), mas claramente prejudica a reputação de ambas as empresas. O que estão a vender aos consumidores são pequenas mentiras, como frases como «obtenha o produto XPTO por preços desde XXX» ou «compre aqui a nossa lebre já esfolada, que provavelmente é gato, mas você não tem forma de distinguir».

Acontece que os consumidores não são parvos e já há muito tempo que deram mostras disso mesmo. As empresas têm de aprender de uma vez por todas que os mentirosos ficam sempre atrás dos coxos. A publicidade tem de parar de vender sonhos impossíveis, aumentando exponencialmente as expectativas dos consumidores. No fim do dia o que acontece são monumentais desilusões. Isto só prejudica a reputação dos clientes, mas também prejudica muitíssimo a reputação da própria publicidade, que passa por ser cada vez menos credível.

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8 respostas até ao momento;

  • 1 TNCB // Jul 22, 2009 at 1:39 pm

    Não é apenas a publicidade que vive da criação de ilusões. Na verdade, grande parte das pessoas prefere viver numa grande ilusão a que chamam a vida pois é-lhe dificil enfrentar os factos. Chegar a casa e sentar no sofá de pele, passar os canais cabo do seu plasma, a internet wirelless por toda a casa, o automóvel que pensa ser o melhor. Quem permite isto? A ilusão criada pela nossa sociedade (onde se inclui a publicidade) que devemos ter tudo isto para sermos felizes. Os bancos fazem o resto e dão-nos a ilusão que podemos ter tudo sem grandes complicações e com muitos cartões.

    Quanto à reputação, ela está nos actos de cada um (pessoa ou instituição) em cada momento das suas vidas. Mentir ou iludir, não será de todo a melhor forma de a construir …

  • 2 Cecília // Jul 22, 2009 at 8:10 pm

    Há um preço em tudo e hoje está claro que o preço cobrado para criar uma imagem contribuiu extraordinariamente para o encarecimento do custo de vida e para o empobrecimento da vida humana.
    Comer o cereal da marca A, vestir a calça da griffe B, ou ainda exibir o último grito (em publicidade, entenda-se) em acessórios tecnológicos só alimentou, afinal, as máquinas bem oleadas das multinacionais, ou só nacionais, de publicidade e marketing.
    É justo que os consumidores comecem a ver a quem andam a pagar ordenados chorudos quando se deixam enganar tão infantilmente. É, consequentemente, justo que as reputações frágeis quebrem como o gelo na primavera solarenga do esclarecimento e da INFORMAÇÃO.

  • 3 Salvador da Cunha // Jul 22, 2009 at 10:09 pm

    Amiga Cecilia, não seria tão dramático. As marcas só têm de dizer a verdade para que haja sustentabilidade no médio prazo.
    Tudo o resto parece-me excessivo e um pouco soviético nos anos 70. 

  • 4 Anonymous // Jul 22, 2009 at 10:49 pm

    Amigo Salvador, não percebo ao que chamas de soviétivo. Mas se porventura for o raciocinio do último parágrafo, penso que terás interpretado mal. Afinal, populações esclarecidas e informadas não me parece que sejam características desses tempos e regime.
    Quanto ao resto, só posso concordar contigo quando afirmas:”As marcas só têm de dizer a verdade para que haja sustentabilidade no médio prazo.”. O que me pergunto é se o farão mesmo??? Não quero parecer cínica, mas olha que a ingenuidade não cabe também aqui muito bem. Vou então acreditar no teu optimismo comercial.
    :)

  • 5 Salvador da Cunha // Jul 22, 2009 at 11:03 pm

    Só não acho que a história dos ordenados chorudos pagos pelos consumidores seja para aqui chamada. Os consumidores são maiores e vacinados e como eu digo, em bloco, não são estupidos e percebem quando estão a ser enganados.
    As marcas é que não podem ter a veleidade de tentar enganar os consumidores.
    Como diria Warren Buffet «“If you lose money for the firm, I will be very understanding…If you lose reputation for the firm, I will be ruthless.”

  • 6 Cecília // Jul 22, 2009 at 11:19 pm

    Eu não sou economista, mas se ainda me lembro um pouco, tenho a sensação de que nos custos fixos de uma empresa são também considerados os ordenados (chorudos ou não, whatever!). Consequentemente, ao orçamentarem o custo dos seus serviços (e é de terciário que estamos a falar e, portanto serviços) esse item entra na ponderação mediante um cálculo que saberás explicar melhor do que eu. Assim sendo, quando refiro os ordenados chorudos estou a fazê-lo apenas numa lógica de custo benefício para o consumidor e não por uma qualquer inveja mesquinha e anti liberal.
    Afinal, eu sou completamente a favor de ordenados chorudos, desde que os mesmos reflitam uma realidade de competência e não uma subversidade dissimulada que, no médio prazo, acaba por ser também ela nefasta para as próprias empresas:)

  • 7 Nuno Pinto // Jul 24, 2009 at 1:27 am

    Uma empresa, especialmente num tempo de crise constante como estamos hoje, não se pode dar ao luxo de “mentir/enganar” o consumidor, qualquer erro, por mais pequeno que seja, pode derrubar por completo a sua reputação (apesar da reputação de ambas as empresas em questão já não ser a melhor). Todos nós (consumidores) sabemos que empresas como a zon (com a sua zon “fibra”) e a PT (com a meo fibra) nos atiram constantemente “areia” para os olhos, dou-lhe um exemplo, todos os dias nos passam N anúncios das duas empresas em questão, mas nem todos sabem o verdadeiro significado de 100 Mb, principalmente os mais leigos na matéria, que irão logo pensar que a sua internet vai atingir os 100 megas por segundo, mas a verdade é que mais uma vez, ambas as empresas usam técnicas para “enganar” o consumidor, pois os 100 mb não são 100 megas por segundo mas sim 100 megabites por segundo. Para fazer a conversão de megabite por segundo para mega por segundo divide-se por 8, ou seja, 100/8, o que faz um total de 12 MB/s. Obviamente que me dirão que cada um deve puxar a “braza à sua sardinha”, mas, não haverão melhores maneiras de melhorarem os seus serviços sem ser através do aumento de velocidade?

    Satisfação dos actuais clientes?
    Produzir soluções para as actuais queixas?
    Apoio ao cliente?

    Cumprimentos,
    Nuno P.

  • 8 Tiago Marques // Aug 17, 2009 at 2:53 pm

    Quanto á história do Megabyte e Megabit a questão prende-se com a própria tecnologia ethernet na qual a velocidade é apresentada em bytes, conjuntos de 8 bits.Qualquer rede ethernet de 100Mbits apenas vai apresentar um débito máximo e quase impossível de obter de 12Mbytes/segundo.

    Ontopic: Quem dita as regras hoje em dia é o grupo PT, as palavras «desde» e «até» são colocadas nos contratos por forma a salvaguardarem cada vez mais o provedor de internet.

    O facto de por vezes a velocidade ser inferior prende-se com o facto do ISP aplicar um taxa de contenção que pode atingir 1/50, ou seja em caso de sobrecarga a velocidade pode atingir 50X menos que a contratada e caso exista um contrato de permanência, este não pode ser anulado devido a este facto.

    Além disso a velocidade de download não é simétrica á velocidade de upload dai os tarifários 24Mb/1Mb, e também no upload pode ser aplicada essa taxa de contenção.

    Quem quer um bom serviço, sem taxa de contenção, tem de pagar bem por isso. Um acesso de 10Mb simétrico e dedicado em fibra facilmente custa 3 mil euros por mês (empresas), no entanto pode apresentar um desempenho melhor que um de 100Mb da Zon / PT, etc.

    Quanto á informação que é dada pelos ISP, esta facilmente confunde uma grande precentagem dos consumidores, afinal de contas o Português é comodista, aprender para quê?…

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