Food for Thought

«Nunca deixes que a verdade mate uma boa notícia»

28 de June de 2009 por Salvador da Cunha

De tempos a tempos lá temos uns frenesins mediáticos, que cegam a maioria dos jornalistas que estão de serviço aos «casos» e os impedem de ir contra a corrente. Sempre que há casos é assim: o «caso» Freeport, «caso» Maddie, o «caso» BPN, o «caso» BPP, o «caso» BCP.

São os casos e, quando há um «caso», têm de andar todos pela mesma bitola, quais fantoches ou carneiros manipulados por um conjunto de fontes organizadas que nem os deixam fazer o que é suposto: ouvir os dois lados de cada caso com a necessária independência e não julgar por antecipação. Não: a maioria dos jornalistas que escrevem sobre os casos não conseguem colocar nada em causa, não conseguem fazer perguntas difíceis, não conseguem analisar incongruências, confundem alhos com bugalhos e tomam toda a informação como boa. Independentemente de terem sempre um sentimento íntimo de que estão ao serviço de interesses muitas vezes pouco claros.

O que interessa é o «timing». «Fui ou não o primeiro a dar aquele bocado de informação». «Tenho de colocar no site antes que o meu concorrente o faça». Se é verdade ou não pouco importa. Se está mais completo ou não, pouco importa. «Se estava 110 segundos antes da concorrência, ganhei… »

Tem sido sempre assim: ouvem, emprenham pelos ouvidos, tentam falar para a contraparte, tarde e a más horas e sempre na esperança de que não atendam e publicam a «Granda Caixa». «Nunca deixes que a verdade mate uma boa notícia», ouvia eu há alguns anos nos meandros do jornalismo na esperança de que fosse uma brincadeira. Não é… 14 anos e gestão de crises mediáticas dizem-me que isto é assim mesmo.

No fim do dia, os pobres jornalistas encolhem os ombros com as consequências. Está longe deles. Não lhes toca.  

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