Na semana passada vivi dois dias insólitos, numa espécie de gestão de crise provocada por uma outra agência de comunicação. A história conta-se rápido: ao que tudo indica o Expresso teve acesso a um parecer jurídico muito pouco favorável ao cliente dessa agência de comunicação. Fez o que tinha de fazer e falou para o cliente dessa agência para saber reacções. Para aumentar a densidade da história, importa dizer que o parecer foi redigido por um famoso jurista, que é também candidato às europeias.
Primeiro insólito: o CEO dessa agência, para por em causa a credibilidade do jurista/candidato, não teve problemas nenhuns em inventar uma mentira sobre honorários milionários alegadamente recebidos pelo candidato às europeias que escreveu o parecer e conta-la a pelo menos meia dúzia de jornalistas.
Segundo insólito: a agência é a do partido que promove o candidato. E os jornalistas a quem ele contou a história sabem isso.
Conclusão minha: será que o tal CEO pensa que ninguém viria a saber isto? Ou será que assim estaria a criar uma crise mediática que depois iria «tentar» resolver?
Este post, vem a propósito dos limites da ética. Tenho pena e vergonha que isto aconteça em Portugal. Como presidente da APECOM fico aliviado. Essa agência, grande, já não está lá há alguns anos.



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