Food for Thought

Por favor, calem o Tavares

25 de April de 2009 por Salvador da Cunha

Cada vez que o presidente da CMVM, Carlos Tavares, o auto-intitulado “Baltazar Garzon” da bolsa portuguesa, fala à margem de um evento, estraga 5 anos de trabalho de Athayde Marques  na promoção dos mercados de capitais portugueses. Bom negócio para o João Libano Monteiro. Já é motivo de risota nervosa nos corredores da alta finança, não fosse um tema muito relevante para promover o regresso da confiança das empresas e dos investidores ao mercado de capitais e as comissões aos bancos de investimento e às salas de mercados.

Os empresários fogem da bolsa como o Diabo da Cruz. Ouvi mesmo um a dizer «Cotar a empresa na Bolsa? Cruz Credo, para ter o Tavares a chamar-me bandido, prefiro estar sossegado».

Ao dizer duas grandes barbaridades à saída da comissão de economia e finanças, Tavares cometeu mais dois erros de comunicação de palmatória, condicionando o sucesso do seu papel como regulador, a saber:

  • Ao afirmar que os administradores do BCP teriam de comprar ou anular as acções que foram subscritas em aumento de capital, Carlos Tavares deixa no ar mais suspeitas no que refere aos processos das offshores levantados pela própria CMVM e pelo BdP. Não clarifica que se trata de outro processo investigado pela CMVM e que por escassez de provas foi entregue ao ministério público. A ser jugado, será nos tribunais verdadeiros. O facto de não ficar calado, é uma tentativa bacoca de condicionar a verdadeira justiça portuguesa. Irá jogar em seu desfavor. Pelo que me lembro, será talvez a oitava vez que o ouvi falar publicamente sobre o tema. Interessante foi o facto de o proprio ter ainda dito que nest casos as irregularidades já prescreveram. Viram isso publicado nos jornais? Eu vi apenas num site.
  • Foi dizer que o caso BPP tem semelhanças ao caso Madoff… com isto excita os coitados dos investidores que estão a querer reaver as suas poupanças, deita por terra qualquer possibilidade de recuperação do banco e condiciona toda a investigação que está a ser feita. Que João Rendeiro sempre foi um investidor de perfil agressivo, todos sabiam. Mas daí a comparar um presumível inocente (não tenho aqui qualquer interesse) a um homem condenado (Caso de Madoff, numas inacreditavelmente lentas cinco semanas entre a descoberta, a investigação e a condenação), é mais uma vez meter o corpo todo num ramo verde. Rendeiro não irá descansar enquanto não tiver uma «choruda» indemnização da CMVM. Obstinado como eu sei que ele é, terá nesta sua declaração ao DE a sua missão dos próximos meses.

Em conclusão, para que a CMVM tenham qualquer tipo de efeito dissuasor, mantendo um razoável interesse em que as empresas se mantenham cotadas, tem de comunicar de outra forma mais discreta e one-to-one. Principalmente não se comprometendo e não comprometendo a instituição como a CMVM. Mas não: hoje lá está de novo no Expresso a acusar tudo e todos e apenas por dois motivos: por tudo e por nada.

O presidente da CMVM não pode vir a público dizer o que diz impunemente, a não ser que tenha agenda própria. E muita gente já acha isso mesmo. Constâncio que se acautele.

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3 respostas até ao momento;

  • 1 Vicente TC // Apr 25, 2009 at 10:11 am

    Salvador, não posso concordar mais com essas afirmações!
    Realmente esse sr. não tem qualquer “educação” no que respeita a comunicação.
    Talvez um consultor? :)
    V

  • 2 Titi // Apr 25, 2009 at 10:24 am

    todo o gato sapato diz o que quer, só espero que o Rendeiro lhe aperte bem o pescoço, assim talvez não volte a falar..de vez.

  • 3 Domingas Carvalhosa // Apr 27, 2009 at 10:04 am

    Que tem agenda própria não tenho dúvidas. Mas, o que o motiva? Ainda não tenho resposta

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