Food for Thought

Já foi há 19 anos?

6 de March de 2009 por Salvador da Cunha

Foi há 19 anos… mas parece que foi ontem que entrei na velha Quinta do Lambert, logo pela manhã, e finalmente tinha o nº1 do Público nas mãos. Já o tinha lido e relido na noite e madrugada anterior, como todos os que trabalhamos na sua fundação.

Mas de manhã era oficial, já tinha sido distribuído nas bancas. Fiz questão de o comprar … nascia um dos mais ambiciosos projectos jornalísticos portugueses, que felizmente é ainda hoje uma referência graças à persistência de Belmiro de Azevedo, que durante todos estes anos fez questão de «subsidiar» a liberdade de imprensa portuguesa.

Eram tempos incríveis, de dedicação e coração total. À Cristina Ferreira devo o «desvio» do Diário Económico. Ao João Cândido da Silva o voto de confiança, confirmado pelo Jorge Wemans, director adjunto. Para o Vicente eu era um puto que escrevia sobre coisas que ele não lia, nem compreendia, por isso não dava importância nenhuma.

Tinha 22 anos e ia ser o responsável pelas páginas da Bolsa. Um orgulho… depois de ano e meio no Semanário Económico e Diário Económico, que também ajudei a fundar. Mas com muito menos impacto: o Público ia ser o grande jornal de referência, o jornal mais moderno, mais bem equipado, cheio de Mac’s ligados em rede em Lisboa e Porto (que os estagiários encheram de vírus na volta de uma viagem a Bruxelas, salvo erro, onde vinha com disketes com joguinhos para Mac’s) e mais tudo o que é possível um jornal ser e ter, num open space bem arquitectado, que ainda hoje deixa saudades. A inveja, saudável, vinha dos lados do Indy… já não era o o projecto irreverente. Pelo menos já não o único. Em casa, ainda solteiro, comparava com a minha mãe (Jornalista do Independente) os dois projectos que nasceram com poucos meses de diferença. Com o excesso de confiança e arrogância de uma “criança” e a complacência orgulhosa de uma mãe que vê o filho seguir-lhe as pegadas. 

Por causa do Público, tive passagem administrativa a várias cadeiras do curso de economia da Católica. Não punha lá os butes, mas os professores tinham grande orgulho de ter um aluno cábula, mas jornalista do Público. Por causa do Público, não terminei o curso… as faltas já eram demais e as urgências sobrepuseram-se às responsabilidades (não assim com toda a gente?). Fechar o jornal todos os dias era muto mais importante que estudar para o curso. 

É por isso que gosto do Público (apesar de já não ter o Calvin e Holbes, que me obrigava a ler o Jornal ao contrário) ou a Maria Rueff, que na altura distribuida os telex. Ela, provavelmente, não se lembra de mim… :-) . Mas ainda hoje percorro esse ramo da minha vida. Sem o Público seria, provavelmente, mais um bancário. 

 

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3 respostas até ao momento;

  • 1 Pedro Rocha // Mar 6, 2009 at 11:46 am

    Parabéns a ambos.

  • 2 João Barbosa // Mar 6, 2009 at 2:13 pm

    OH grande Salvas, então tu não és doutor?! cais 25% na minha cotação… é a brincar, pois claro.
    .
    não vejo a Rueff há muito tempo, talvez há 11 anos, mas sei que ela se lembra de mim… fiz-lhe tantas no liceu…
    .
    tenho pena de nunca ter trabalhado no Público, queria esse no CV

  • 3 Cecília Pires // Mar 9, 2009 at 7:58 pm

    moce Salvador, que bons tempos me fizeste agora recordar … Jokas

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