Food for Thought

Ganhar dinheiro passou a ser crime?

28 de March de 2009 por Salvador da Cunha

Já escrevi sobre isto há poucos dias, num âmbito mais alargado, mas volto ao tema. Estão os jornais e as televisões doidas com os milhares de euros que alguns «sortudos» ganham por mês, por Parecer ou ainda por Assembleia Geral. É obvio que, do ponto de vista jornalístico, o despertar da inveja, tão própria deste nosso pobre povo, trás alguns leitores adicionais, até porque as «caixas» são replicadas à exaustão por outros meios de comunicação social e, dessa forma, promovem o jornal ou revista que publicou em primeira mão a grande notícia.

Agora, pergunto eu, com que legitimidade é que se questiona os vencimentos de alguns em detrimento dos de outros? Com que lata se questionam os prémios de gestão previamente estabelecidos pelos gestores com os seus accionistas? Qual a legitimidade que tem o Governo para interferir nas remunerações dos órgãos sociais da Portugal Telecom, quando tem apenas 500 acções?

Sejamos sérios. Gestores bem preparados valem muito mais do que gestores mal preparados. Gestores com carreiras feitas, com visão, capacidade de liderança, provas dadas, velem o seu peso em ouro porque conseguem rentabilidades interessantes para os accionistas, ao mesmo tempo que promovem o crescimento das organizações que lideram e o consequente aumento do emprego. Por oposição aos gestores do «Tacho», que não arriscam, não acrescentam valor, e tudo fazem para manter o seu status quo.

No passado, depois do 25 de Abril e do período de caça às bruxas, já testamos o que foi ficar sem altos quadros. Viram-se os resultados: Uma década de «paragem» na economia portuguesa. Só com o regresso de alguns deles as coisas começaram a caminhar no sentido ascendente.

Mas parece que a caça às bruxas, que é como quem diz aos ricos, poderosos e bem remunerados, voltou. Muito pela mão de um ex-milionário especulador e ignorante, ladrão de impostos, que usurpou ao estado português muitos milhões de contos (à época) com um expediente chamado «lavagem de cupão» e continua a fazer isso através de uma fundação com o seu nome, sobre a qual não dá contas a ninguém.

Pois o que eu acho é que se as coisas se mantêm neste registo, ficamos sem a nata da nossa gestão. À semelhança do que aconteceu ao génio António Horta Osório, exportado pelo Santander para Londres, podemos correr o risco de a curto prazo perder outros como António Pires de Lima (Unicer), Fernando Ulrich (BPI), Zeinal Bava (PT), António Carrapatoso (Vodafone), António Mexia (EDP), entre outros. E falo apenas de jovens gestores de topo contratados. Não falo de empresários, de filhos de empresários ou de gestores públicos. Esses terão outras razões para se manterem por cá.

Portugal exportar talentos é o mesmo que Angola oferecer diamantes. Não é apenas ruinoso. É estúpido.

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