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Sócrates, o Tsunami mediático e o queijo suíço do sistema judicial

1 de February de 2009 por Salvador da Cunha

Sobre as verdades e as mentiras que se publicam do caso Freeport estou-me verdadeiramente nas tintas. Não quero saber do que está publicado nos jornais nem o que vem na televisão. Não quero saber se Sócrates é culpado ou inocente do ponto de vista da comunicação social. Interessam-me naturalmente as consequências políticas e sociais deste caso e a verdade que vier a ser apurada pela Justiça.

Mas interessa-me muitíssimo o fenómeno mediático e as análises que se podem fazer deste Tsunami mediático. Interessa-me muito as reacções de Sócrates sobre o caso. As atitudes recentes e as várias explicações públicas. Falei sobre isso à Lúcia Crespo do Jornal de Negócios (ver Link).

A «impressão» de medo que tem vindo a transmitir e as consequências que isso lhe trás do ponto de vista da sua reputação, sobretudo baseada na sua determinação, firmeza e coragem.

Hoje o primeiro-ministro parece um leão ferido de morte, que está já rodeado das odiosas hienas, dispostas a assumir o serviço fúnebre.

Sócrates não é reconhecido como um excelente técnico (como era Cavaco na área económica), não é reconhecido como um excepcional político (como era Soares), ou como um gerador de consensos (como era Guterres). Sócrates é reconhecido como um primeiro-ministro com pulso firme e determinado, altamente reverenciado pelos membros do seu Governo. É um primeiro-ministro com quem não se brinca, porque contra-ataca e magoa. Essas são as características que o seu eleitorado (principalmente o feminino) lhe reconhece. São os principais atributos da sua reputação. São esses atributos que o próprio terá de compreender para se defender deste Tsunami jornalístico. Como titulava uma qualquer entrevista, quem se mete com ele, leva.

Quando Sócrates entender os principais atributos da sua reputação, compreende duas coisas:

1.     Que não pode mais falar sobre a sua participação neste caso (isso fará eventualmente no local apropriado que são os tribunais). Não é por acaso que os americanos aconselham o silêncio aos suspeitos, porque tudo o que disserem se pode voltar contra eles «in the court of law»

2.     Que tem de agir a montante, na penalização da violação do segredo de justiça. O primeiro-ministro tem de ser absolutamente intransigente na exigência de um sistema judicial que aplique o segredo de justiça. Tapar o queijo suíço em que a nossa justiça se transformou, punindo pública e severamente os responsáveis pelas cadenciadas e planeadas violações flagrantes do segredo de justiça. Tem «acabar» com a fonte das notícias e não com os mensageiros, que apenas fazem o seu trabalho (neste momento um pouso descontrolados, como os tubarões em frenesim). Mas quando tomar uma atitude sobre este assunto, tem de ser contra a prática já generalizada por todos os casos mediáticos em que o sistema judicial se viciou. Através da sua maioria absoluta no parlamento, legislar duramente sobre o tema.

Só assim conseguirá travar este tema e não através das ridículas e ineficazes pressões que tem sido feitas sobre a comunicação social, através de todos os recursos internos e externos que tem ao seu dispor. Neste momento há um risco sério de esse ser transformado no próximo escândalo contra José Sócrates: o ataque planeado à liberdade de imprensa.

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