Se há duas semanas o 31 da Armada brincou comigo dizendo que tinha dado uma valente «Martelada» em Miguel Sousa Tavares, hoje tenho de lhe tirar o chapéu. Pela primeira vez em muitos anos leio Sousa Tavares a dizer bem de alguém. Não que não tenha acontecido outras vezes, mas verdade é que nem sempre o leio.
Miguel Sousa Tavares elogia um grande empresário português, Alexandre Soares dos Santos, que não tem medo de dizer o que pensa, mas não faz dessa sua qualidade o seu principal cavalo de batalha. Soares dos Santos criticou há duas semanas a «intolerável» a demagogia do primeiro-ministro, ao mesmo tempo que oferecia aos seus pares menos «tranquilos» o que ele considera ser a receita para a crise.
Nessa receita, os despedimentos viriam naturalmente em último lugar, depois de gastar as reservas, suspender a remuneração dos accionistas, cortar nos vencimentos dos quadros superiores e negociar com todos os trabalhadores um corte «temporário» nos seus vencimentos. Os despedimentos, diz Soares dos Santos, serão sempre o último recurso.
Pode não ser a melhor mensagem que o Chairman da Jerónimo Martins passa aos accionistas da empresa, principalmente ao tipo de accionistas de curto prazo que o atormentou durante anos e de quem se livrou em boa hora. Mas a idade e a maturidade tem destas coisas: Soares dos Santos sabe que o que desce, volta a subir e o que sobe em flecha, cai com mais barulho.
Mas sabe também que a tranquilidade desta mensagem, para as «tropas» do seu grupo, são vitaminas para ultrapassar a crise. Está há muitos anos no negócio e sabe o que são objectivos de longo prazo.
Sousa Tavares faz ainda referência à fundação que Soares dos Santos decidiu lançar, com todas as cautelas e caldos de galhinha que hoje em dia o termo fundação acarreta. E com toda a razão: nas poucas vezes que os portugueses ouvem falar de fundações, ou é porque Berardo trata publicamente por «baby» a ministra da cultura, que naturalmente se indignou, recebendo em troca um «eu sei lá o teu nome, como é que queres que te chame», ou porque o mesmo Berardo joga na Bolsa com os dinheiros da «sua» fundação altamente alavancada, entre outros pela CGD, o que devia no mínimo merecer uma investigação judicial, devidamente acompanhada pelos Ministérios das Finanças e da Justiça. Mas quem chama «baby» a uma ministra, se calhar não pode ser investigado. Não sei.
Resumindo, diz o articulista, a fundação com o nome do Avô de Soares dos Santos será uma fundação à seria. Ainda bem. Eu por acaso já sabia, mas não digo como ;-)


0 respostas até ao momento;
Ainda não temos comentários ... não quer ser o primeiro?
Deixe um comentário