Tenho resistido a escrever sobre Barak Obama de propósito. Não porque não tenha opinião sobre o que se tem passado nos Estados Unidos, mas porque seria apenas mais um a ter opinião. E já somos certamente milhões.
Mas há um factor que me tem distanciado dos restantes opinion makers que consideram que as elevadas expectativas sobre Obama irão defraudar a maioria do seu eleitorado. Eu não penso assim. (ver Link para Jornal de Noticias)
Normalmente diria que expectativas demasiado elevadas levam regularmente à desilusão (ver caso da participação portuguesa nos Jogos Olímpicos). Pelo contrário, expectativas muito baixas, que podem facilmente ser ultrapassadas, geram satisfação/realização. Estes serão porventura os casos mais comuns.
Mas no caso de Obama as coisas são diferentes por duas ordens de razão: endógenas e exógenas.
As primeiras têm a ver com a sua personalidade intrínseca e com os dons que foi desenvolvendo: prefere ajudar os desfavorecidos a ser carreirista, tem uma personalidade forte e determinada, não se tem mostrado permeável a lobbies e tudo fez para se distanciar do poder do seu dinheiro (incluindo o método de financiamento da sua campanha). Aprende depressa, tem as ideias em ordem e um pensamento lúcido, usando uma intuição humanista para lhe guiar algumas das posições mais relevantes que defendeu em campanha. A cereja em cima do bolo: é um orador brilhante, com variações de estilo adaptadas às audiências que fascina e empolga. É também um comunicador nato: sabe dizer o que quer, quando quer e como quer e a quem quer. Sem muletas, nem bengalas, nem formatos esgotados há anos.
Os factores exógenos vão também ajudar Obama superar as elevadíssimas expectativas: nunca o cenário económico foi não “negro” no sentido conjuntural do termo. A economia nos Estados Unidos tem pouco espaço para piorar, do ponto de vista das percepções. Pode é demorar mais do que alguns esperam. Mas Obama vai criar um estado providência, social e solidário, o que irá aliviar as classes mais afectadas pela crise. Onde irá buscar o dinheiro? Por exemplo aos dois mil milhões de euros mensais que irá poupar com o fim da guerra do Iraque. Recorde-se que a equipe de Clinton, que Obama em parte recupera, deixou os Estados Unidos no ponto oposto ao presente: com um superávit orçamental notável.
No fim do dia há um outro factor incontornável: as comparações com W. Bush. Ser mais popular que W. Bush é o mais fácil. Difícil seria o contrário.


2 respostas até ao momento;
1 Maria Domingas Carvalhosa // Jan 22, 2009 at 3:11 pm
Sorry colega mas não concordo quanto a alguns pontos do teu post.
1. A péssima situação económica e os graves problemas de liquidez da classe média americana reforçam a necessidade do colectivo encontrar um salvador (solução) para a sua situação; Obama elevou muito a fasquia e (espero enganar-me) não vai arranjar soluções rápidas para os maiores problemas que tem actualmente entre mãos – Economia e Política Internacional
2. A campanha de Barack Obama teve um dos maiores financiamentos da história. O seu super Chefe de Gabinete é judeu de sinagoga. Não te diz nada?
3. A maior dificuldade que Obama irá encontrar será a política internacional. Israel não esperou pela sua tomada de posse para inviabilizar a criação de um estado palestiniano.
Agora concordo que é um comunicador genial, acredito que venha a ser um excelente estadista e considero que tem uma super equipa de PR.
Bjos DC
2 Salvador da Cunha // Jan 22, 2009 at 8:14 pm
Domingas,
Comecei por dizer que escrevi por ter a ideia de que a minha opinião era contrária à da maioria dos analistas.
A minha opinião mantêm-se pelos três motivos que apresentei e que resumo:
- Exclência na comunicação
- Situação economica conjuntural tão má que é dificil piorar
- Antecessor tão mau, que é impossivel ser pior.
bj
Salvador
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