Na tal aula que fui dar a Gaia, chegou-se a uma conclusão interessante: Apenas as noticias que tem a ver com sociedade e os primeiros relatos de situações específicas como Inundações, desastres naturais, acidentes de viação, mau tempo, são de facto desinteressadas e factuais.
Todas as outras são resultado de manifestações de interesses, a maior parte dos quais legítimos. Mesmo quando se chega aos segundos relatos das tais notícias inocentes, já temos interesses mais ou menos visiveis: o lojista que quer subsídios do Governo para remediar o prejuízo, a senhora de meia-idade que se apressa a apontar o dedo aos responsáveis da junta e a jornalista ávida de sangue que procura os negligentes.
No mais, tudo são interesses. Ou da empresa que quer ser bem vista, ou da agência que quer minimizar os efeitos de uma crise de um seu cliente, ou o clube que quer pressionar o outro e já agora o árbitro, ou do primeiro-ministro que insiste em ignorar a crise que lhe estraga os planos da reeleição. Tudo são interesses. Temos de saber viver com eles e apesar deles. E interpretar o que na realidade significam.
A declaração prévia de interesses devia estar mais na moda.

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