Food for Thought

Idade da inocência

15 de November de 2008 por Salvador da Cunha

Ontem fui a Gaia a convite do João Paulo Menezes dar uma aula aos alunos do terceiro ano de jornalismo do ISLA sobre consultoria em comunicação e as fontes organizadas no mundo mediático dos nossos dias. Também falamos sobre a APECOM e sobre gestão de reputação, mas foram os primeiros temas que naturalmente despertaram mais a atenção dos meus interlocutores.

É sempre interessante ver jovens cheios de vida e de sonhos sobre o papel do jornalista na sociedade. «O inocente caminha com tranquilidade», já diz o povo.

Mas também é um fenómeno interessante notar mudanças de expressão quando as frases são tão polémicas como «não há nenhuma noticia que não represente um ou mais interesses» ou «em Portugal os meios de comunicação social vivem momentos dramáticos de pré falência» ou ainda «a profissão de jornalista deverá estar entre as profissões mais mal pagas».

Da experiência que tenho tido em entrevistas as jovens recém-licenciados fazem-me pensar que algumas universidades tratam os seus estudantes como meros fregueses que pagam para lá passar o tempo durante três anos. Não os ensina, cobra-lhes as propinas e dá-lhes o que eles pagam: O canudo. É pena que assim seja. O mercado de trabalho está ávido de bons talentos.

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2 respostas até ao momento;

  • 1 Miguel Albano // Nov 15, 2008 at 12:39 am

    Nem mais!

    E o problema é que não é apenas nos cursos de comunicação social. As Universidades descobriram a lógica da linha de montagem desenvolvida por Henry Ford faz agora cem anos e não estão, de todo, a assumir a sua responsabilidade na sociedade moderna.

    Cabe aos estudantes serem mais exigentes com os seus «fornecedores» educativos.

    E cabe-nos a nós, ao mercado, participar também, de forma pró-activa, na evolução do modelo educativo.

  • 2 Mariana Inácio // Dec 11, 2008 at 12:36 pm

    Só agora tive tempo para ler todos os posts porque tenho andado ocupada a instruir-me a mim própria. :-) É verdade o que diz sobre o facto das universidades não darem a formação necessária face ao que o mercado de trabalho exige. Mas também é um facto que muitos jovens esperam aprender tudo nas universidades e não investem a título pessoal. Há livros, programas de TV e o mundo da Internet que nos pode ajudar a crescer. E depois há o próprio local de trabalho, no qual podemos ir sempre além do que nos pedem para fazer, correr riscos e sobretudo aprender…sempre aprender. O mercado de trabalho está muito exigente, é certo, mas quem frequenta uma universidade não pode esperar que lhe transmitam tudo, até porque há sempre mais e mais para descobrir e os professores apenas dão bases. Mas concordo também com o que o Miguel disse..temos que exigir que nos passem conhecimentos, que nos façam pensar, relacionar, criticar…Na minha experiência pessoal, aprendi que só se aprende, fazendo e que não podemos esperar que alguém nos ensine tudo.

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