Sobre o primeiro desafio (liberdade de imprensa versus liberdade de expressão) tivemos as mais variadas opiniões, tanto aqui no fórum do Food for Thought como no do The Star Tracker, que reproduzo na íntegra no comentário 10, e cuja leitura recomendo.
Como não podia deixar de ser, a maior parte dos comentadores acha, e na minha opinião bem, que a liberdade de imprensa é uma consequência da liberdade de expressão. Sem a segunda, seria impossível a primeira.
Teve este desafio a ver com o facto de a Blogosfera ser uma espécie de grande órgão de comunicação social, onde cada individuo-o que escreve é uma espécie de jornalista, muitas vezes com mais audiência do que os convencionais. Na Blogosfera a liberdade de expressão assume-se na sua plenitude e deixou de ser um acto confinado a uma dezenas de leitores/ouvintes/ espectadores quando não citada pela comunicação social. Passou a ter audiência própria, sem intermediários.
Paradoxalmente, a liberdade de expressão na Blogosfera tornou possível o único acto até aqui «condicionado» pela imprensa: a critica aos próprios jornalistas e à comunicação social. Por muitas vezes que seja criticada, a comunicação social nunca reproduz fielmente essas criticas. Pelo contrário, assume sempre corporativamente que quem a critica é contra o pluralismo e contra as liberdades fundamentais. E como não tem contraditório, o jornalismo convencional começou a abusar do poder que esta liberdade lhe deu. E a proteger permanente a classe de ataques de terceiros.
Para fúria dos visados, a Blogosfera veio possibilitar, qual Dantas (quem não se lembra deste célebre suplemento do Jornal O Semanário), que se critiquem os jornalistas. Escrutinados, tenho ideia que fazem melhor o seu trabalho.
Se a liberdade de expressão é um direito consagrado na constituição, como o é a liberdade de imprensa (consagrada constitucionalmente em Portugal pela primeira vez em 1821), não podemos deixar de pensar que com esta liberdade vêm também responsabilidades. Eu sou um fervoroso adepto do princípio que diz: «máxima liberdade, máxima responsabilidade».
Deixo aqui algumas reflexões adicionais:
- O jornalismo não um acto de justiça: é um acto de informação. Assim como o jornalista não é um justiceiro, é um informador.
- A informação é de quem a produz, não é do jornalista. Se um jornalista tem a liberdade (e obrigação) para publicar tudo o que sabe, não tem a liberdade de usar qualquer método ou expediente para a obter essa mesma informação.
- Há um evidente desequilíbrio entre a liberdade de imprensa e a liberdade de dizer que não a um jornalista. O medo do efeito «justiceiro» sobrepõe-se sempre à liberdade de não dar informação.
- As consultoras de comunicação nasceram deste desequilíbrio. Se calhar o melhor é deixar tudo como está. :-)


1 resposta até ao momento;
1 Carlos José Teixeira // Oct 15, 2008 at 10:48 pm
E mais do que nunca, Salvador.
O jornalista de hoje já não tem como principal função a mediação da informação. Creio que a sua principal função é a de contextualizar essa informação, de forma a ser legível pelos públicos que esta atinge.
E depois, temos a interactividade dos próprios jornais com os leitores, que está a transformar os últimos numa espécie de estrelas da informação.
Creio que, no fim de tudo, a blogosfera reflecte mais um desejo do que uma realidade.
Um desejo de liberdade de expressão numa imprensa anárquica.
Tem coisas boas, esse desejo. E tem coisas más.
Aguardo desenvolvimentos. Já há quem declare a morte da web 2.0. Eu acho que nós ainda nem lá estamos a sério…
(comentário um pouco apressado, como se nota…)
Abraço,
CJT
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