Food for Thought

A crise da Starbucks: Quando o gestor não quer saber…

9 de Outubro de 2008 por Salvador da Cunha

A crise mediática estalou no fim-de-semana em Inglaterra: A cadeia Starbucks, que recentemente abriu em Portugal, gasta 23 milhões de litros de água por dia, nos seus 10.000 estabelecimentos porque recomendava que nunca se fechassem as torneiras.

Foi capa do «The Sun» e escândalo nacional. Diria mesmo que o escândalo é mundial: afinal estamos a falar de 8,4 mil milhões de litros de água potável desperdiçada todos os anos por uma só empresa. E por causa de uma recomendação de gestão?

Era obvio que a crise iria estalar um dia. Se há mais de 20 anos que se está a construir uma consciência mundial no sentido de poupar água potável, não é legitimo que uma só empresa gaste por dia o equivalente às necessidades diárias de um país como a Namíbia.

A verdade é que a Starbucks já tinha sido alertada para a eventualidade de uma crise mediática desta natureza há mais de 2 anos por empresas de consultoria de comunicação de primeira água. Aquelas que aconselham as empresas clientes a adoptarem medidas de gestão que tenham impacto positivo na imagem.

Mas nada fez. Na segunda-feira, depois da história do «The Sun», a empresa ainda tentou defender a sua política, alegando que assim é mais higiénico e combate a acumulação de germes. Mas no dia seguinte, devido à pressão da comunicação social, lá acabou por ceder e mandar fechar as torneiras.

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5 respostas até ao momento;

  • 1 Pedro Rocha // 9, 2008 at 4:14 pm

    O Paul Haugen, vice da Edelman, falou exactamente desse caso na conferência da APAN, decorrida ontem…

    Nos dias que correm, as marcas não se podem dar ao luxo de “parecer ser algo*” - têm mesmo de “ser acerca de algo”. Caso contrário, os media - que somos todos nós - lá estarão para espalhar a história.

    *sejam preocupações ambientais, sociais, éticas ou de qq outra espécie.

  • 2 Luis // 10, 2008 at 12:11 pm

    Salvador,

    Esclareça-me uma coisa, por favor. A resposta da empresa à situação de crise veio pela mão de uma agência de comunicação? Quem é pode defender ou aconselhar uma barbaridade destas (mais higiénico, bla bla bla)?

  • 3 Salvador da Cunha // 10, 2008 at 1:56 pm

    Penso que não.

    O assunto já tinha sido amplamente debatido pela Starbucks internamente e havia uma série de Q&A e Statments preparados sobre a matéria.

    A consultora que actualmente trabalha a marca no Reino Unido estava aparentemente confortável com este procedimento.

    Mais não sei… isto foi o que li sobre o caso.

  • 4 Ricardo Belo de Morais // 10, 2008 at 6:55 pm

    Já me aconteceu coisa parecida, embora nunca até agora com um cliente desta dimensão. E dá uma enorme mágoa quando só somos ouvidos depois “da casa roubada”, isso dá…

  • 5 A influência tem limites // 16, 2008 at 12:31 pm

    [...] estaria a correr há muito mais tempo. Mas não há coincidências: a crise de 6 de Outubro de que falámos neste blog, acelerou a [...]

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