O caso dos combustíveis que hoje foi amplamente discutido, para além de ser uma bem preparada campanha de comunicação a favor da baixa dos preços, que em simultâneo lança a suspeita de cartelização do sector e rotula de oportunistas todas as empresas do sector, foi também um exercício interessante de tiro a alvos próximos e imóveis.
Quero com isto dizer que as máquinas de comunicação de empresas como a Galp e a BP falharam por completo. Falharam na previsão da mediatização do tema e dos eventuais impactos de reputação, falharam na construção de mensagens, falharam nos instrumentos de comunicação e falharam na influência junto dos órgãos de comunicação. Falharam sobretudo porque não assumiram um compromisso de transparência para com os seus clientes.
Não seria difícil divulgar e explicar o algoritmo que está na génese da formação dos preços e ensinar os consumidores a prever eventuais subidas e descidas dos preços associadas às variações dos preços dos combustíveis nos mercados internacionais, ao preço do crude e à flutuação do dólar.
Neste tema, ou falhou a máquina de comunicação e deverão tirar-se as devidas ilações, ou falhou a prática de gestão que de facto pretende aproveitar oportunisticamente o momento para engordar a função financeira. Se for isto, o caso é mais grave…


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