Food for Thought

A vergonha

28 de September de 2008 por Salvador da Cunha

Li o artigo do Paulo Pinto Mascarenhas no Jornal de Negócios e não posso deixar de me lembrar de um almoço que tive no inicio de Maio com alguém do PSD que me queria sondar em plena campanha interna para a liderança do partido. Queria os meus conselhos para um dos candidatos, mas queria-os de forma indirecta. Queria saber que estratégias de comunicação eu recomendaria, que tácticas acharia correctas e se estaria disposto a prestar serviços de consultoria ao candidato, mas sem que ninguém, mesmo ninguém, soubesse.

Achei estranho o pedido, apesar de compreender as suas motivações: afinal o PSD ainda está envergonhado da relação que teve no passado com outras consultoras de comunicação. Disse-lhe que por princípio não achava correcto fazer o que me pedia, mas que estaria disposto a negociar os termos da nossa colaboração com o candidato.

Diz-me o intermediário que isso também não iria ser possível. A colaboração pretendida penas seria possível de forma indirecta. O candidato não quer ser visto com agências de comunicação. A minha resposta foi então a óbvia.

Hesitei antes de escrever este post. Acho que o PSD se auto colocou num beco sem saída, com os aplausos do PS. Não posso deixar pensar que o PSD se auto-condenou a não ter agências de comunicação como se isso fosse uma desvantagem competitiva em vez de ser uma vantagem, apenas porque todo o partido se indignou com a agência de Luis Filipe Menezes.

Considero que essa vergonha é uma grande vantagem para o PS, que neste momento sorri. Acho mesmo que deviam considera abandonar a sua agência. Afinal, se a oposição, que apenas pode comunicar, não o faz, o partido do governo que pode mostra obra e atitude, para além da comunicação, irá gastar recursos porquê?

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