Há tempos, no Twitter, afirmei que o “Jornalismo é a droga da Politica, e Vice Versa”
Foi um pensamento que se me assaltou a propósito da discussão em torno da escassez de intervenções públicas de Manuela Ferreira Leite. O facto é que pensando sobre o assunto, o que se tem passado é que os jornalistas que cobrem o PSD estão a ressacar e necessitam de mais «cavalo». Não havendo «puro» vão aos algodões. Qualquer coisa que cheire a PSD serve para encher as páginas dos jornais que lhe estão destinadas pelo princípio de equilíbrio noticioso (se é que esse principio está instituído e é respeitado).
Quem conhece as redacções sabe que existem jornalistas «alocados» a partidos, que tem como missão cobrir todas as vertentes noticiosas desse partido. Para além das comunicações oficiais, tem também de conhecer e ter «fontes» de todos os lados do partido. Saber os podres e as desavenças. As intrigas e más-línguas. Qualquer pedaço de novidade faz uma notícia de página inteira… Mesmo que não seja notícia «pura», acaba com a ressaca. Mais vale que deixar a página vazia e levar um puxão de orelhas do editor.
Não é necessário ser um génio da comunicação para saber que se não é a agenda oficial do partido a preencher o tempo do jornalista A, B e C é a agenda oficiosa composta pelos adversários e pelos intriguistas. Se não são as figuras de proa, são os “factótum” (reaprendi esta palavra numa célebre entrevista). Se não for o líder, são os opositores internos. Os mais desleais e mais vis.
Em conclusão, os partidos políticos tem algumas obrigações básicas no que toca à comunicação:
- 1. Liderar o processo comunicacional, não deixando que outros os façam;
- 2. Preencher com conteúdos os espaços editoriais abertos;
- 3. Imprimir regras internas de «ditadura»: ninguém fala se não estiver coordenado com o líder ou a sua equipe de comunicação (com agência ou não);
- 4. Preparar o trabalho de casa com amplos conteúdos que cubram todas as vertentes de opinião (com agência ou não) do partido;
- 5. Saber os conteúdos dos principais partidos adversários e encontrar formas de valorizar os seus conteúdos comparativamente e desvalorizar os do adversário, desmontando os seus argumentos (com agência ou não);
- 6. Mimar os jornalistas que cobrem os seus assuntos do partido;
- 7. Mimar os chefes e editores desses jornalistas;
- 8. Mimar os patrões dos chefes do jornalistas, que apesar de não terem «qualquer» influência editorial, «que las ai, las ai…»
Dito isto, posso afirmar que a Lift não faz comunicação política, não quer trabalhar com o PSD nem com nenhum outro partido, porque apesar de aliciante, é um péssimo negócio económico.



1 resposta até ao momento;
1 Ferreira Leite desafia a Gravidade? // Nov 19, 2008 at 9:03 pm
[...] comunicação e a relação com a comunicação social, ou será trucidada por eles. Já escrevi aqui sobre [...]
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