Food for Thought

1º desafio

28 de September de 2008 por Salvador da Cunha

Lanço aqui neste blog um desafio para provocar. Os comentários estão abertos a todos, havendo apenas uma necessidade de moderação para não baixar o nível do Blog. Dentro de uma semana faremos um resumo.

Qual das seguintes liberdades é mais valiosa, a liberdade de imprensa ou a liberdade de expressão?

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12 respostas até ao momento;

  • 1 Fernando Morais // Sep 28, 2008 at 9:42 pm

    Caro Salvador,

    Acho que a liberdade de imprensa resulta da liberdade de expressão. Sem a segunda seria impossível pensar na primeira e por isso considero que a liberdade de expressão tem mais valor do que a liberdade de imprensa.

  • 2 Miguel Albano // Sep 28, 2008 at 10:59 pm

    Viva Salvador,

    antes de mais, excelente ideia.

    A liberdade de expressão é, pelo menos para mim, um valor absoluto, independente das suas consequências ou impactos.

    A todos, sem excepções, deve ser permitido o direito à opinião e à expressão desta, independentemente da sua forma ou método de distribuição.

    Infelizmente, a liberdade de expressão entra em conflito com outras boas práticas das sociedades modernas, como sejam as morais e os bons costumes.

    É no compromisso entre um extremo e outro é aquilo que procuramos de forma constante, de forma evolutiva.

    A liberdade de imprensa, na minha humilde opinião, deve estar automaticamente associada aos deveres da própria imprensa, como sejam os deveres da informação, objectividade e transparência.

    Contudo e como diz muito bem o Fernando Morais, a segunda não vive sem a primeira.

  • 3 Rodrigo Saraiva // Sep 28, 2008 at 11:26 pm

    O Fernando Morais respondeu de forma simples e eficaz.
    Quando se fala de liberdades convém que nunca se esqueça, mas infelizmente acontece em demasia, nomeadamente na pseudo imprensa, que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros!

  • 4 Ana Salgueiro // Sep 29, 2008 at 1:04 pm

    Olá Salvador,

    Em resposta ao teu desafio: Qual das seguintes liberdades é mais valiosa, a liberdade de imprensa ou a liberdade de expressão?

    Eu acredito que uma e outra vertente estão absolutamente interligadas. Contudo, a liberdade de imprensa é sem dúvida a mais importante. A liberdade de imprensa é um dos principais pilares de um Estado de Direito Democrático, e é a garantia que podemos publicamente escrutinar e confrontar as entidades governativas e empresariais sobre as suas práticas e a forma como estão a gerir as questões mais importantes para o País ou para o mercado. Sem liberdade de imprensa não há contraditório, e sem questionar-mos, continuamente, os assuntos que directa ou indirectamente nos afectam, não podemos de facto assumir que somos uma civilização moderna, progressista e a caminho de um lugar melhor do que aquele em que estamos hoje.

  • 5 JMH // Sep 29, 2008 at 5:08 pm

    São duas faces da mesma moeda. Sem liberdade de expressão não há liberdade de imprensa.

    Deixo só duas questões:

    1. Quando falamos de liberdade de imprensa falamos do jornalista ou do jornal? Podemos falar de liberdade de expressão (ou falta dela), dentro de um jornal?

    2. É assim tão importante a objectividade e isenção dos jornalistas? Ou apenas a transparência é fundamental? Não é preferível um jornal que se assuma de esquerda a uma redacção esquizofrénica que apregoa uma imparcialidade inexistente?

  • 6 José António Nunes // Sep 29, 2008 at 10:53 pm

    A liberdade de expressão tende a ser geral, no sentido de que abrange todas as pessoas de um país. A liberdade de imprensa é a expressão profissional da primeira.

    É apenas nessa medida que uma se sobrepõe à outra. Mas concordo que ambas são essenciais num estado de direito democrático.

    O que não pode acontecer, e muitas vezes acontece, é a liberdade de imprensa ou a liberdade de expressão colidirem com outros valores fundamentais, como o direito ao bom nome e à reputação.

    A liberdade que tenho de dizer mal do meu vizinho de forma gratuita, cessa quando começa a liberdade do meu vizinho em defender o seu nome.

  • 7 Luis Rascão // Sep 29, 2008 at 11:05 pm

    Tem piada este desafio, numa altura e que os blogs começam a fazer frente à comunicação social no papel que desempenham na formação da opinião pública.

    A liberdade de exprimir um pensamento nunca foi tão global como é hoje. Literalmente eu posso escrever um post contra o McCain ou o Obama e ter uma resposta dos dois nas horas seguintes. Aqui está a minha liberdade de expressão no seu expoente máximo.

    Mas a irrelevância individual mantém-se, ou seja, com os milhões de blogs que existem por esse mundo fora, a minha relevância individual é igual ao grito matinal que dou no terraço do meu prédio. Quanto muito incomodo um vizinho mal-humorado.

    O mesmo não se passa se a relevância individual for mais substantiva. Admito, por exemplo, que um Pacheco Pereira seja mais relevante que outro pequeno bloguer, mas apenas na sua pequena audiência. Deve ser mais relevante, por exemplo, que o jornal Semanário.

    Fazendo um paralelo, acho que as duas liberdades são idênticas. Uma (imprensa) pode por quanto provocar mais estragos do que a outra por ter ainda mais audiência, mas com a audiência certa, um blogue pode provocar grandes estragos.

  • 8 Boas discussões, por enquanto, nada repetitivas « Noticiare // Sep 30, 2008 at 11:36 am

    [...] a definição sobre as diferenças da publicidade e da comunicação. Já o segundo atentou às liberdades de expressão e sua importância. E os comentários e artigos que tais blogues iniciaram são de extrema [...]

  • 9 Carlos José Teixeira // Oct 2, 2008 at 9:31 pm

    Parabéns pela pergunta!

    Na minha opinião, a liberdade de expressão condiciona a liberdade de imprensa a montante.

    Se bem que a liberdade de imprensa seja a bandeira do pluralismo democrático e uma das mais vigorosas demonstrações de um estado livre e de direito, esta não é mais que um reflexo da liberdade de expressão dada ao jornalista, dentro do próprio jornal.

    Se a liberdade de imprensa é regulada pela deontologia, a liberdade de expressão não tem regulação, é uma questão ética e de princípios defensores da condição humana.
    Se a imprensa traduz a liberdade de expressão, a expressão traduz a liberdade de pensamento. E isso, creio, é muito importante.

    Se quisermos, representamos a coisa em diagrama: Pensamento -> Expressão -> Imprensa

    Logo aqui, verificamos condições diferentes de aproximação ao público.
    O pensamento, acto de cognição, refere-se à informação em si, com ou sem significação particular do sujeito.
    A expressão não é mais que a transmissão dessa informação, pelo sujeito.
    A imprensa trata da divulgação mediática da expressão, com ou sem significação particular do intermediário, mas sempre com ele e com a sua influência presentes.

    Peço desculpa por esta espécie de epistemologia de praia, mas creio que dará para demonstrar porque é que penso que, antes de mais, a liberdade de pensamento deve ser considerada a mais importante. Esta é a que nos permite fazer julgamento da informação, interpretá-la segundo as nossas convenções particulares.

    E, das duas hipóteses propostas, creio que a mais importante é a liberdade de expressão. Desta depende a livre divulgação mediática, a permissão para publicação sem cortes, sem lápis azul.

    A liberdade de imprensa é muito importante e complementa o restante. Fica em perigo de cada vez que um poder instalado corta a liberdade de expressão. No entanto, graças aos novos media, felizmente vai vendo as suas limitações cada vez mais difundidas e os atentados à sua existência prontamente denunciados.

    Enfim, espero ter-me feito entender.

    Já agora, um convite para um assunto que me parece, de certa forma, relacionado.
    Peço desculpa pelo incómodo mas terei que deixar dois links:
    http://fractura.net/comunicacao/blogosfera-estatuto-de-blogger/
    http://fractura.net/opiniao/blogosfera-o-estatuto-blogger/

    Um abraço a tod@s,
    CJT

  • 10 Salvador da Cunha // Oct 5, 2008 at 6:16 pm

    Aos comentários anteriores, deixo mais estes tantos deixados no The Star Tracker:

    Rodrigo Saraiva Lisbon
    Posted 6 days ago

    Desafio aceite.
    Já lá está!

    «(…) Quando se fala de liberdades convém que nunca se esqueça, mas infelizmente acontece em demasia, nomeadamente na pseudo imprensa, que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros!»

    Luis Almeida Lisbon
    Posted 6 days ago

    Como a previsível e próxima extinção da imprensa demonstra… a liberdade de expressão.

    Até porque na maior parte dos países a imprensa não é verdadeiramente livre. Em Portugal, seguramente não é. Que tal esta provocaçãozinha, hein?

    João Oliveira Aveiro
    Posted 6 days ago

    já lá vou escrever… mas gosto do ditado “a liberdade de um termina onde começa a liberdade do outro” e desconfio das auto-regulações actuais…

    João Espada Vieira Lisbon
    Posted 6 days ago

    Depende como cada uma é usada.

    Gonçalo Caldeira do Vale Lisbon
    Posted 6 days ago

    Bem, acho que a liberdade de expressão se sobrepõe à liberdade de imprensa. É mais genaralista, mas a questão é um bocado como a do ovo e da galinha.

    Ana Salgueiro Lisbon
    Posted 6 days ago

    Olá Salvador,

    Em resposta ao teu desafio: Qual das seguintes liberdades é mais valiosa, a liberdade de imprensa ou a liberdade de expressão?

    Eu acredito que uma e outra vertente estão absolutamente interligadas. Contudo, a liberdade de imprensa é sem dúvida a mais importante. A liberdade de imprensa é um dos principais pilares de um Estado de Direito Democrático, e é a garantia que podemos publicamente escrutinar e confrontar as entidades governativas e empresariais sobre as suas práticas e a forma como estão a gerir as questões mais importantes para o País ou para o mercado. Sem liberdade de imprensa não há contraditório, e sem questionar-mos, continuamente, os assuntos que directa ou indirectamente nos afectam, não podemos de facto assumir que somos uma civilização moderna, progressista e a caminho de um lugar melhor do que aquele em que estamos hoje.

    João Espada Vieira Lisbon
    Posted 6 days ago

    Acredito que a mais valiosa das liberdades é a própria liberdade, todas as outras virão por acréscimo, contudo há códigos e leis que devem ser respeitados, para que a liberdade não dê lugar à anarquia.

    Fernando Fonseca Lisbon
    Posted 6 days ago

    mmm…alguém viu ontem o episódio dos Simpsons na RTP2?
    O Mr. Burns decide comprar todos os media existentes em Springfield para obrigar as pessoas a gostarem dele.
    Lisa Simpson, que tinha iniciado uma newsletter, vê-se pressionada por Burns – desde ofertas de suborno até à agressão física – a vender ou a deixar de editar a mesma.

    Quando Lisa desiste, todos os habitantes de Springfield começam a editar uma newsletter.
    Burns conclui que ninguém pode dominar toda a imprensa a menos que se esse “ninguém se chame Murdoch”.

    Homer conclui que, com tantas newsletters a serem distribuídas pela cidade, existe muita informação mas toda ela sem interesse algum.

    Deixo aqui para reflexão

    Abreijos,
    Fernando

    Paulo Silva Curto Lisbon
    Posted 6 days ago

    Prefiro a liberdade de pensamento…

    João Espada Vieira Lisbon
    Posted 6 days ago

    Eu prefiro a liberdade de escolha.

    Nuno Jordão de Sousa Lisbon
    Posted 6 days ago

    Teoricamente a última deveria albergar a primeira, logo…

    Sofia Mendonça Milan
    Posted 3 days ago

    Buonasera,

    Concordo com o Nuno e discordo com a Ana. Aqui fica a minha opinião:

    - Sem liberdade de expressao, não poderá haver liberdade de imprensa (no sentido geral de Imprensa)

    Por outro lado, mesmo que o povo seja livre de se exprimir, pode existir uma “ditadura” de imprensa, onde os jornalistas / reporters não se possam comunicar livremente o que pretendem dar a conhecer aos outros.

    Contudo, deveriamos igualmente reflectir no significado de “imprensa”, bem como liberdade de imprensa (e pelas respostas já dadas, deduz-se que haja diferentes perspectivas / interpretações).
    - Se a “Imprensa” se restringe à mera comunicação de factos e acontecimentos (conceito que aprendi há anos na escola), então falamos de duas liberdades diversas
    - Se a dita Imprensa engloba debates e opiniões por parte dos intervenientes, então voltamos à frase que escrevi inicialmente.

    Desculpe Salvador, por ter respondido directamente aqui! Prometo visitar o seu blog.

    Saluti!
    Sofia

    Fernando Melo Lisbon
    Posted 3 days ago

    Irei ao blog, mas para já não hesito em reclamar sobretudo Liberdade de Imprensa.

    Gil Davide Lisbon
    Posted 3 days ago

    Hum.. de dificil decisão!
    Apesar de concordar com a Sofia.

    “A Liberdade de um, acaba onde começa a Liberdade de outro!”

  • 11 Reflexões sobre o 1º desafio // Oct 5, 2008 at 8:41 pm

    [...] o primeiro desafio (liberdade de imprensa versus liberdade de expressão) tivemos as mais variadas opiniões, tanto [...]

  • 12 Maria Antónia Saldanha // Oct 5, 2008 at 9:15 pm

    Sem querer tornar a questão demasiado filosófica, devemos ir à origem do termo liberdade e a sua correlação directa com os direitos que temos como ser humanos e elementos da sociedade – a liberdade de cada um só pode ser exercida dentro dos limites do cumprimento da liberdade dos outros. Assim sendo, se ao exercer a minha liberdade, ofender a dos outros, estou a ultrapassar os meus direitos e a ofender os dos outros.

    Se tivermos em conta estes pontos será mais eficiente a utilização das liberdades, seja de expressão, seja de imprensa.

    Passando à questão propriamente dita, a liberdade de expressão pode ser exercida de diferentes formas e uma delas é a liberdade de imprensa, daí que a liberdade de expressão seja mais uma função macro da liberdade e que é mais imediata e ao dispor de todos os cidadãos.

    Já a liberdade de imprensa, por existir num canal específico, deve reger-se pelo respectivo código deontológico e de princípios, pelo que não está tão aberta a todos.

    Mais importante, não creio que haja uma mais importante que outra, mas existem em planos transversais e alinhados.

    P.S. Este tipo de temas são interessantes porque nos obrigam a reflectir sobre temas com os quais lidamos directamente e que, por isso, não analisamos em detalhe como devido.

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