Food for Thought

Thought of the day: Ética do sector da comunicação

12 de March de 2010 por Salvador da Cunha

Na sequência deste post do Rui Calafate, escrevi este post no Textos de Comunicação

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ICCO Global Summit

12 de March de 2010 por Salvador da Cunha

icco-logoEstou em Barcelona na reunião semestral da ICCO. Os problemas são os mesmos de sempre: as relações Públicas não conseguem um padrão de medição, mas hey… são baratuchas; sabendo que este sector da comunicação é um dos mais eficazes instrumentos, como conseguir uma maior percentagem do orçamentos dos clientes? Etc, etc, ect…

Foi tomada uma decisão importante: estes e outros importantes assuntos para o sector da consultoria em comunicação serão abordados numa perspectiva inovadora no ICCO Global Summit, que terá lugar em Cascais em Abril de 2011. Todos os oradores convidados terão de fazer “research” próprio para as apresentações de Cascais e apresentar ideias verdadeiramente inovadoras para o nosso sector.

Entre os oradores estarão alguns dos CEO’s da 10 maiores empresas do mundo e alguns dos CEO das empresas que mais cresceram nos últimos anos. Esta é, para já, a promessa.

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Porque não?

9 de March de 2010 por Salvador da Cunha

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Consultores invisíveis

6 de March de 2010 por Salvador da Cunha

invisible_manPaulo Rangel teve um inicio de campanha para a presidência do PSD desastroso. Perdeu em todas as frentes e perdeu contra quem não podia ter perdido: Pedro Passos Coelho. Como resultado, diz o Sol, despediu consultores de comunicação. Como? Quais consultores de comunicação?

Até agora as minhas investigações sobre a matéria acabaram num beco sem saída. Não sei quem são os consultores despedidos e sinceramente estou quase a acreditar no que se diz pela twittoesfera: Rangel diz que despediu os consultores de comunicação para arranjar uma desculpa para a má performance. Mas o facto é que não existem consultores de comunicação.

A ser verdade, este golpe baixo de Rangel é terrível e demonstra bem como lida com o falhanço: sacudindo a água do capote e encontrando bodes expiatórios. Um segundo Sócrates, portanto.

Se por acaso encontrar os tais consultores dou nota e retiro o que digo agora.

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Governo contrata agência de comunicação internacional

6 de March de 2010 por Salvador da Cunha

lobbying_processDa forma como o Expresso escreve (Agencia de Lóbi), até parece que a contratação da Kreab, & Gavin Anderson por parte do Governo português é uma medida perniciosa. É obvio que o Governo tem de contar com todos os meios à sua disposição para que não existam quaisquer dúvidas nos mercados internacionais sobre a situação da economia portuguesa. Especialmente quando os mercados tendem a confundir a situação portuguesa com a Grega.

Recorrer aos serviços profissionais de uma consultora de comunicação é uma medida inteligente e demonstra que o Governo em determinadas situações consegue estar à altura dos seus parceiros internacionais. Todos eles têm consultoras de comunicação.

A contratação de uma consultora de comunicação especializada como a KGA é uma medida de inteligência política, como de resto se demonstra pelas recomendações que dá. Não fazia qualquer sentido divulgar o PEC português em simultâneo com o Grego. Essa até deve ter sido a consulta mais fácil e mais óbvia que a KGA deu ao governo português. Se o fizesse, os entrariam de novo em histerias. E uma das coisas que as consultoras de comunicação fazem bem é antecipar o efeito de certas notícias em certos públicos alvos.

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Anos agitados?

28 de February de 2010 por Salvador da Cunha

A propósito das eleições na APECOM, concedi uma entrevista à Meios & Publicidade. Com esta entrevista pretendi fazer uma espécie de balanço dos últimos dois anos e perspectivar os próximos dois. As iniciativas mais relevantes desta lista são a criação dos prémios Reputação, uma iniciativa da APECOM com a Meios & Publicidade a ser divulgada em breve, e a organização em Lisboa da ICCO Global Summit na primavera de 2011. Vão ser anos agitados no sector da consultoria em comunicação e relações públicas.
Entrevista_M&P_260210

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“As escutas são pagas”, diz António Barreto

27 de February de 2010 por Salvador da Cunha

Ab_expresso2AB_ExpressoÀ margem de uma entrevista em que lança o PORDATA, António Barreto arremessa também a mais grave acusação que eu tenha conhecimento ao sistema judicial português.

As escutas são pagas… e quem as vende são os magistrados.

Já se sabia que a justiça portuguesa é um queijo suíço e que deixa passar tudo o que pode. É assim na maioria dos casos mediáticos, mas também é assim nas entidades reguladoras como o Banco de Portugal e a CMVM. Tudo o que possa ser noticia passa cá para fora de forma insidiosa, violenta e ilegítima. E não me venham dizer que há casos em que só se faz justiça se assim for. Carlos Tavares, o presidente da CMVM disse um dia, numa clara violação do segredo de justiça: «este caso até pode prescrever, mas a reputação não prescreve» disse, justificando a quebra do segredo de justiça. Caso era o do BCP e serviu bem os interesses de uma guerra de accionistas, na qual Carlos Tavares e Vitor Constâncio foram fantoches manipulados.

Voltando a António Barreto, penso que estamos perante a acusação que faltava para acabar de vez com esta pouca vergonha das escutas e do lodaçal em que o país caiu, muito por culpa de uma comunicação social deficitária onde, naturalmente a urgência de pagar os salários no fim do mês tolda os critérios editoriais dos directores. «Em casa onde não há pão…»

Fui com orgulho jornalista de economia durante oito anos e acho que a reputação desta profissão desceu para baixo dos limites da razoabilidade. O jornalismo em causa própria (Caso de Mário Crespo e de Manuela Moura Guedes) é simplesmente deplorável. O jornalista não pode jamais usar o poder e audiência que tem em seu benefício, ou em benefício de uma causa. Por mais nobre que ela seja.

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Excelente trabalho

25 de February de 2010 por Salvador da Cunha

pordataAlgumas estatísticas nacionais, precisamente às 17:23 de hoje. A fonte é o site PORDATA da Fundação Francisco Manuel dos Santos, presidida por António Barreto e recentemente constituída pela Família Soares dos Santos.

Curiso que o quadro à esquerda já não vale… Quando lá for, já haverá mais nascimentos, mais mortos, mais despesas com a saúde e com a educação. Sempre a somar.

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Top 10 dos Negócios

25 de February de 2010 por Salvador da Cunha

Top10NegociosÉ raro dizer por antecipação onde vou, mas a autora do Livro Top 10 dos Negócios, a Maria Duarte Bello, merece esta minha excepção.

Já mereceria antes de ler o livro, para cuja apresentação teve a amabilidade de convidar. Mas depois de ler algumas das suas crónicas, mais ainda se justifica esta pequena nota.

A apresentação é na sede da AIP, na Junqueira, às 16:30

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APECOM: O que podemos todos fazer pelo sector

25 de February de 2010 por Salvador da Cunha

apecom-logo

No próximo dia 4 há de novo eleições na APECOM. É a única associação empresarial do sector e é a que representa Portugal no mundo da comunicação. Eu vejo sempre a APECOM como um espaço de promoção e divulgação do sector e das associadas, onde se discutem as tendências, onde se estuda o sector e onde se analisam as expectativas dos vários players portugueses.

Na minha perspectiva a APECOM não é um espaço onde caibam as rixas concorrenciais entre empresas (essas tem de ficar à porta em prol de um bem comum) e não é um espaço de fiscalização exagerada do sector. Naturalmente, as questões que violem de forma descarada os códigos de conduta devem ser analisadas, mas o sector dever-se-á auto-regular com base nos códigos de ética e de conduta, aprovados há muitos anos.

A APECOM também não deve ser uma associação de cúpula, nem entendida como tal. Digo isto há muitos anos, porque há sempre uma expectativa do que a APECOM pode fazer pelos associados, quando a minha perspectiva, dada a dimensão da associação, o que se devia questionar é o que associados, através da APECOM, podem e devem fazer pelo sector. É por isso que se associaram em primeira instância.

Quero com isto dizer que a direcção da APECOM, que lidero há dois anos, estará sempre aberta a receber iniciativas dos associados, criar grupos de trabalho e colocar a sua pequena estrutura a desenvolver esforços que contribuam para o seu objectivo de promoção e divulgação do sector. Sem virar costas a ninguém.

Há dois anos não havia estrutura. Hoje a estrutura é pequena mas existe. Hoje a APECOM está preparada para olhar os próximos anos com mais optimismo, porque saiu da zona de rebentação e entrou em mares mais calmos. Tem mais associados, mais recursos, já presta alguns serviços interessantes e mantém outros, que apesar de não serem visíveis, são muitíssimo utilizados pela audiência deste sector. O site da APECOM tem quase 5000 page loads médias por mês, a gerar tráfego diário para as páginas dos associados.

No inicio de Janeiro pedi ao Alexandre Cordeiro, meu amigo e actual presidente da Mesa da Assembleia Geral para marcar eleições, para respeitar os dois anos de mandato. Não me candidatei automaticamente, porque entendi que deveria deixar espaço para que outros os fizessem. Há cerca de três semanas, iniciei o processo de constituição de uma lista com o meu colega de direcção Luis Rosendo e ontem, as associadas Lift, Generator e Ipsis entregaram a candidatura ao presidente da Mesa da AG. Para além destas três associadas, a Lista integra ainda na mesa da Assembleia Geral a C&C, a Imago e a Cunha Vaz & Associados. O Conselho fiscal é composto pela Youngnetwork, Midlandcom e Hill&knowlton.

Dia 4 lá estaremos em mais um momento do sector. E é muito interessante, porque apesar de adversários no dia-a-dia, há nestas reuniões um ambiente de grande amizade institucional e sobretudo nota-se a vontade que todos têm de estar uns com os outros. A partilhar problemas e a discutir soluções.

Post publicado também no blog Textos de Comunicação

 

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Um líder nato

25 de February de 2010 por Salvador da Cunha

Alberto João JardimTenho visto as intervenções de Alberto João Jardim nos últimos dias e a minha opinião sobre ele mudou, para melhor. Já tinha uma boa imagem do líder da Madeira, mas manchada pelos vários momentos infelizes que amiúde protagoniza. É um homem cheio de defeitos, mas também cheio de virtudes.

Não me vou debruçar sobre os defeitos. Não é este o momento. Mas sobre as virtudes, porque tem sido inexcedível na sua tarefa de recuperar a Madeira e coloca-la «ainda mais bonita do que já era». Palavras do próprio. É isso que se vê todos os dias. Centenas de máquinas a trabalhar, centenas de pessoas nas ruas a ajudar, um presidente da Câmara do Funchal de mangas arregaçadas a coordenar os trabalhos e um presidente do Governo a coordenar, a contar a baixas (porque os jornais exageram sempre), mas sobretudo a olhar para os que ficam. Alberto João Jardim não irá obrigar as pessoas a sair das suas localidades, vai construir nessas mesmas localidades. «Não quero trazer mais infelicidade» atira.

E a olhar pela «sua» ilha. Não lhe venham falar de calamidade, porque que depois os seguros não pagam. Não lhe venham falar de desordenamento do território: é uma ilha, cheia de declives, com casas onde os desastres acontecem, mas são os pedaços de terra dos madeirenses. Não lhe venham falar em desastres naturais, porque prejudica a imagem da Madeira lá fora. E tem toda a razão: este é um momento em que o excesso de informação é prejudicial.

De vez em quando volta a registo habitual, mas desta vez tem também razão. Pergunta-lhe um jornalista: mas sabe que um procurador vai investigar eventual negligência em relação ao mau ordenamento do território? Resposta: «nestes momentos há sempre um xicos espertos que gostam de se pôr em bicos dos pés. Já falei com o procurador-geral e ele garantiu-me que podia ficar descansado» diz. «Apure-se, mas apure-se em silêncio e descrição que a justiça necessita para ser eficaz. Se for para fazer show off não fazem falta».

Gostava que o continente tivesse um líder assim.

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Thought of the day: poder dizer não

23 de February de 2010 por Salvador da Cunha

A Google pode dizer que não: Excelente artigo Esther  Dyson sobre liberdade de expressão, ou ausência dela, no negócios.pt. Quem quiser falar de censura com propriedade, pode ler o artigo e ficar esclarecido.

P.s. Aproveito para dizer que aprovo quase todos os comentários deste blog, desde de que não sejam ofensivos. E desde que me apeteça. O Blog é meu…

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Mas qual liberdade de expressão?

21 de February de 2010 por CAN

Por Cláudia Nogueira,
Directora Executiva da Lift Consulting

 “Há dois tipos de liberdade: a falsa, na qual o homem é livre para fazer o que quer; e a verdadeira, na qual o homem é livre para fazer o que deve.”

Charles Kingsley

A liberdade impõe-nos alguns limites: os deveres. Sendo o principal respeitarmos o próximo. Na sua integridade, na sua reputação, no seu bom nome. Porque se impõem limites que nos devem proteger de ataques sem fundamentos ou, triste sorte a de muitos, sem provas. Porque a um País Democrata corresponde um Estado de Direito. Onde não pode valer tudo: os cidadãos têm de ser inocentes até prova em contrário. E devem ter o direito a preservar o seu bom nome. Qualquer um de nós, se se imaginar no papel de acusado, reconhece estes valores como imediatos.

Um caso concreto deste tipo de abuso é Gonçalo Amaral. Este ex-polícia é um mau exemplo de profissionalismo. E um mau exemplo pelo desrespeito aos limites da liberdade. Está habituado a fazer o que quer. É um homem condenado por maus tratos infligidos a testemunhas. É um homem sobre quem pesa uma queixa contra as suas acções (más, por sinal, já que ninguém pode aceitar uma polícia que arranca literalmente das suas testemunhas a confissão do que quiser…)no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. O mesmo para o qual ele diz que há-de recorrer pela decisão de hoje, de um Tribunal de Lisboa.

Recorde-se que Gonçalo Amaral escreveu um livro, que diz ser cópia do processo de investigação sobre o desaparecimento de Madeleine McCann, mas que classifica como a sua opinião do que terá acontecido. A uma morte acidental, Gonçalo Amaral acrescenta a ocultação rocambolesca do cadáver por parte dos pais. Uma opinião simples. Nada demolidora e por isso, quase (quer ele fazer-nos crer), inocente.

E este é o homem que se diz injustiçado. O homem que não faz o que deve. Este é o homem que, escondendo-se nos valores da liberdade de uma democracia, falha na essência, ao não aceitar democraticamente outras leituras de um mesmo tema. E sobretudo por prostituir essa Liberdade ao querer com ela convencer-nos que pode mesmo fazer (e dizer) o que quiser.

Porque se sente Gonçalo Amaral injustiçado? Por não poder fazer o que queria: «arrancar» confissões de um casal inglês, a braços com o desaparecimento da sua filha? Porque teve de lidar com pressões externas que evidenciaram o seu mau desempenho de coordenador da PJ? Porque não aceita outros pontos de vista que não o seu?

Então Gonçalo Amaral é o primeiro a desrespeitar a Liberdade. É o primeiro a falhar quando o que se espera de um polícia é que faça o seu trabalho. Que avance com estratégias de investigação. Que coordene as suas equipas. O caminho mais fácil é enveredar pelo caminho mediático. Acenando à opinião pública com a máxima de que a Liberdade nos permite fazermos o que queremos e bem entendemos. E num momento em que outros o fizeram e se deram bem com isso até há quem acredite.

Felizmente, ainda há advogados que discutem o tema no local certo e pela forma objectivamente prevista na Constituição, e aceitando à partida e independentemente da sua convicção, que qualquer resultado é possível. E Juízes que, perante o óbvio, decidem que a liberdade tem simplesmente demasiado valor.

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Tiger Wood III: O regresso do Heroi

20 de February de 2010 por Salvador da Cunha

TigerWoodsMais depressa do que eu previa (aqui e aqui), lá esteve Tiger Woods a pedir desculpas à América. O circo à sua volta é demasiado importante e gera demasiados milhões para que, por uma questão de infidelidade conjugal, Tiger desaparecesse do Golf, mesmo que apenas por um período curto.

E na América é assim. Tiger Woods pede desculpas, os americanos desculpam, os agentes reiniciam o negócio e dentro de pouco tempo é «business as usual». Diria que é a vantagem da hipocrisia americana. Faz esquecer tudo mais depressa, porque a vida é curta e há uns milhões para ganhar por muita gente.

Afinal, impõem-se a pergunta: Nos Estados Unidos qual será percentagem de fãs de Woods que nunca traiu ou pretendeu trair? Diz-se que a reputação de Tiger Woods foi irremediavelmente afectada: terá sido? Food for Thought

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Thought of the day: a ética jornalística

18 de February de 2010 por Salvador da Cunha

A propósito do post anterior: ontem diz-me uma jornalista de economia reputada e conceituada, que determinada pessoa é «o maior bandido» que existe em Portugal. É uma numa percepção e não uma afirmação baseada em factos concretos. Pelo menos em factos publicáveis.

Essa jornalista anda há meses a escrever sobre empresa onde essa tal pessoa é administrador e os textos não são propriamente abonatórios, muito pelo contrário. A pergunta que deixo é a seguinte: Será legítimo e ético que esta jornalista continue a escrever sobre essa empresa, sabendo à partida que não é isenta?

Food for thought

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Os falsos moralistas?

18 de February de 2010 por Salvador da Cunha

Imagem-branca-de-duas-pessoas-com-rostos-grandes-se-encarando-Antes de mais quero dizer que sou um fervoroso defensor da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa, mas não como os únicos valores fundamentais da democracia. Em casos normais, estou do lado dos jornalistas, mas hoje indigno-me com o circo montado na Assembleia da Republica.

Não compreendo as posições de José Manuel Fernandes e de Mário Crespo. Parecem-me mais queixinhas de virgens ofendidas ou falsos moralistas, do que propriamente coisas a que o país deva dar relevo. A liberdade de imprensa é um «vaca sagrada» da democracia. Mas há outras liberdades que não podem ser postas em causa, como por exemplo a liberdade que todos temos de não querer falar com um jornalista X ou o jornal Y. Essa liberdade também é sagrada, desculpem lá qualquer coisinha.

Já agora a liberdade de exercer influência sobre a comunicação social, desde que de forma legítima, é também uma liberdade fundamental. Como será a liberdade de, com determinação, não permitir que um jornalista insista numa versão de uma história que possa colocar em causa a reputação de pessoas ou empresas, quando esse jornalista só olha para um lado dessa história.

O que Mário Crespo se queixa é de ter ficado sem casa, quando o Jornal de Noticias lhe recusou a publicação de um texto de opinião. Acho que o Mário crespo tem todo o direito à indignação, mas a encenação que fez nos últimos dias a propósito desse facto não foi apenas exagerada, foi ridícula. E ele sabe disso, mas insiste na história.

Nesta fase, eu poderia dizer que o Mário Crespo está a ser instrumentalizado, ao serviço de outros desígnios, quiçá mais obscuros. A liberdade de expressão permite-me fazer uma afirmação como essa e, se o próprio achar por bem, pode mandar uma versão para os comentários deste blog. Eu publico na integra. Mas não acho bem que assim seja, porque nesta profissão não se pode «disparar a bala e perguntar depois quem lá vem».

Já José Manuel Fernandes, que muito prezo e com quem tive o prazer de trabalhar há cerca de 20 anos na fundação do Público, tem vários «mas» no seu discurso. Parece-me mais um jornalista amargurado com o que lhe aconteceu, do que com a razão do seu lado.

Desde logo porque ele sabe bem que o jornalista não tem direito a tudo… tem direito a fazer perguntas, mas não de exigir respostas. Tem direito de querer estar, mas de compreender se não for convidado. O Público foi, e bem, um jornal incómodo para o Governo. Foi uma forma de estar. Não pode esperar ter um Governo colaborante. E isso não tem nada a ver com pressões ilegítimas. Mas agora, que o clima é propício, ataca-se na carne fresca. Não acho bem. Que eu saiba o José Manuel Fernandes nunca deixou de publicar uma história sobre o Governo, nem o lápis azul entrou no Publico para censurar este ou aquele texto. Há pressões? “Welcome to the real world a deal with them…”

Por último acho mal, vindo o José Manuel Fernandes, o ataque à Ongoing. Por várias razões, mas a principal tem a ver com falta de legitimidade: como é que um ex-director de um jornal que em 20 anos nunca deu um tostão de resultados positivos se atreve a qualificar como exagerado o investimento de uma empresa concorrente? É absurdo, tendo em conta a boa performance do Diário Económico e dos projectos paralelos que a marca está a desenvolver.

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Concentração virtuosa

14 de February de 2010 por Salvador da Cunha

Lift_FPNa semana passada foi anunciada uma operação de aquisição da Frontpage pela Lift, concretizada através da troca de participações entre os accionistas/sócios de ambas as empresas. Trata-se de uma operação que foi finalizada há pouco tempo, mas está completamente implementada. O anúncio foi feito apenas no final desse processo.

De facto, todas as mudanças que tinham de ser feitas na Lift ou Frontpage já foram feitas. Tanto na Lift como na Frontpage houve uma cisão da área de actividade de Eventos & Design, que se unem numa terceira empresa, cujo nome e posicionamento será divulgado nas próximas semanas. Mas essa empresa já está totalmente operacional, assim como as duas consultoras, que apesar de terem uma estrutura accionista comum se mantém totalmente independentes: Equipas independentes, infra-estruturas independentes, instalações independentes e lideranças independentes.

Onde estão as sinergias? Estão na partilha de know-how nas áreas onde cada uma é mais forte. Os clientes da Frontpage poderão aproveitar as valências da Lift, por exemplo, nas áreas da gestão da repuação, nas áreas da comunicação digital, na componente internacional (ligação à Burson-Marsteller), etc. A Lift irá aproveitar as mais-valias da Frontpage nas áreas de concepção e organização de eventos.

É uma operação que tem outras virtudes, já que o todo que se forma é muito superior à simples soma das partes. É por isso uma operação de concentração virtuosa.

Ver comunicado de imprensa

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The whole purpose of PR is to influence opinions and behaviors

14 de February de 2010 por Salvador da Cunha

reputationNuma curta entrevista à PR News, Laura Kane, Vice presidente da Aflac para a área da comunicação externa, fala da forma como gere a reputação da sua empresa e de como de devem ser medidos os investimentos em comunicação e relações públicas. Mais uma opinião que partilho e com a qual me identifico. Kane falará sobre este tema na PR News Measurement Conference, que acontece em Washington em Março.  No final da entrevista, fica a inevitável pergunta:  

PR News: What is your coolest PR metric?

Laura Kane: I like surveys. The whole purpose of PR is to influence opinions and behaviors. Surveys are the best way to measure that.

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Thought of the day: a liberdade de expressão

14 de February de 2010 por Salvador da Cunha

À conta do ridículo episódio do Mário Crespo e do seu artigo contra o primeiro-ministro e dos ridículos funcionários do tribunal que tentaram de forma infantil aplicar a providência cautelar ao Sol, o país virou-se do avesso reclamando liberdade expressão.

Manuela Moura Guedes e Mário Crespo surgem de semblante carregado a exigir liberdade de expressão. Ela pode não saber o que isso é, mas Crespo que foi radialista no apartheid Sul-africano, devia era estar calado porque sabe bem o que é ser decepado por uma catana por causa de uma opinião. E não me parece que em Portugal ele esteja muito preocupado com isso!

Razão tem Proença de Carvalho que na entrevista ao i põem alguns pontos nos i’. Proença diz que não leu o Sol para não ser cúmplice de uma ilegalidade (acho um exagero e sinceramente não acredito) e coloca em causa a deontologia do «Jornal de Sexta» de Manuela Moura Guedes, dizendo que nenhum grupo decente aceitaria manter aquele jornal por muito mais tempo.

Eu concordo em absoluto, porque sem colocar a liberdade de imprensa em causa, o país deve-se proteger de jornalistas ditatoriais e absolutistas como o Crespo e a Moura Guedes e outros que tais.

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As relações de força do poder

9 de February de 2010 por Salvador da Cunha

Braço_FerroMuito interessante o artigo de opinião de José Eduardo Moniz no Diário Económico a propósito da capa do SOL de Sexta-feira. Pelo que diz em relação ao que representa: É vice-presidente da Ongoing, um dos maiores accionistas da PT, e critica a o CEO da PT. Critica ainda a Media Capital e a Prisa, quando a Ongoing tem em curso uma OPA sobre a Media Capital para se tornar parceira da Prisa na Media Capital. Ataca violentamente o primeiro-ministro pelo que lhe terá feito no processo de saída da TVI. Mas isso não é de estranhar, dados os antecedentes entre os dois.

Este post não é uma crítica a José Eduardo Moniz, pelo contrário, porque partilho algumas das suas ideias sobre a governabilidade deste país. Tem toda a legitimidade e propriedade para o fazer, sabendo-se do que se sabe publicamente.

Este post pretende apenas alertar para uma mudança de relações de força no complicado tabuleiro do poder. Pela dificuldade em compreender as entrelinhas deste artigo, diria que o jogo mudou radicalmente. Isso não é bom para Sócrates, mas pode ser bom para Portugal.

Ps. Leio no jornal de negócio que Berardo não decidiu se compra ou não a posição que a Ongoing tem na Impresa. Gostava de dizer que eu também ainda não decidi… será que posso ser noticia?

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